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Sandra Vásquez de la Horra

Artista chilena traz seus desenhos encerados para Bienal. Conversamos com ela

Sandra Vásquez de la Horra

Por Natacha Cortêz

em 17 de outubro de 2012

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Sandra Vásquez de la Horra, 45, é artista plástica chilena que vive em Berlim há três anos. Seu trabalho ganhou notoriedade por comunicar força e um universo único através de desenhos quase crus, de técnica muito simples, feitos com o uso de lápis grafite e aquarela vermelha.

Um tema recorrente em sua arte é a figura feminina. A mulher se torna diálogo, meio e símbolo. Através dela,  constrói um universo fantasioso, entranhado por referências do folclore e antigas tradições chilenas. Ela começa as ilustrações com o lápis, algumas recebem pontos de aquarela e são todas criadas em papel de caderno. Por fim, embebeda os papéis em cera, parecida com a usada para velas. Por isso a coloração amarelada das folhas. Para os olhos a sensação é de estranheza. É comum que você se pergunte qual é o material que ela usa de tela.

Outra característica que define seu trabalho é a forma como os desenhos são organizados e expostos nas mostras. Sandra desenha formas com caminhos de folhas de papel. É como se o olhar do expectador precisasse passear pela edição que a artista propõe. Assim, além da individualidade de cada obra, existe um conjunto, que proporciona uma segunda visualização, desta vez como narrativa.

Conversamos com a artista, que apresenta suas obras na Bienal de São Paulo, que acontece até dia 9 de dezembro:

Tpm. Por que trocou o Chile por Berlim?
Sandra. Para trabalhar minha arte em um mundo que oferecesse mais feedback, mais respostas. 

Como funciona o processo de criar os desenhos? A base do meu trabalho é a experimentação. Ela se materializa no desenho e no aprofundamento deste com níveis diferentes de consciência. Quando digo experimentação, quero dizer que ainda tem a ver com a técnica. Já as visualizações têm a ver com os níveis de consciência. 

E quais são as inspirações para comunicar esses níveis de consciência? Sonhos, visões, outras culturas, viagens, literatura e mitologia. Mas minha maior influência são simbologias Chiloé, elas faziam parte de minhas histórias de infância.

Qual é o significado da cera que cobre os desenhos? É como uma substância mumificadora deles.

Em suas exposições há uma maneira específica de organizar e apresentar os desenhos: sem quadros e às vezes eles estão perto de um de outro, como uma nova pintura. Como um grupo. Por que essa organização? Este arranjo tem muito a ver com o ex-voto da cultura religiosa popular. Comecei a fazer isso de forma inconsciente, instintiva.

Qual é o significado da figura feminina em suas obras? É a Mãe Terra, é a filha, a heroína, a vítima e ao mesmo tempo o agressor.

Você sempre usa lápis, papel, aquarela (mas apenas algumas cores, como o vermelho). Esta é a sua paleta de cores, certo? Basicamente vermelho, preto e cor amarela da cera. Por que escolheu essas cores? O que representam? Como trabalho com símbolos, elas foram escolhidas por representar eles. Cada uma delas conta das referências e temas que uso. 

Vai lá: www.vasquezdelahorra.de

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