por Paula Gicovate
Tpm #148

Ele é galã do horário nobre, namora a Cléo Pires e surfa <3. Mas há um tanto de dor ali.

No dia em que o pai morreu, Rômulo Arantes Neto diz que não chorou. Tinha 13 anos naquele junho de 2000, quando aconteceu o acidente de ultraleve que matou Rômulo Arantes, nadador olímpico que depois se tornou ator de sucesso na TV e no cinema. Devastado pela dor, o garoto prometeu a si mesmo que seria forte. Acabou se trancando em um mundo próprio “se obrigando a virar homem”. Quase não falava sobre o que estava acontecendo com os amigos e a família. 

A ligação dos dois era profunda. Quando tinha 5 anos Rômulo disse ao pai que, quando fizesse 7, se mudaria para a casa dele. Chegado o dia ele raspou a cabeça, como o pai gostava, e saiu com ele para comprar sua primeira bicicleta. Foram para casa juntos e permaneceram juntos até o acidente, seis anos depois. 

A morte do pai não foi superada, “vem sendo”, e ainda assim “deixou um vazio que nunca será totalmente preenchido”. Essa falta foi amenizada através do esporte –uma paixão comum entre os dois –, do trabalho, do amor e da terapia, onde ele aprendeu a chorar. E hoje em dia ele chora. “No carro, no trabalho, na minha relação, no mar. Choro de tristeza e de felicidade. Choro muito.”

Aos 27 anos Rômulo ainda tem o olhar do menino que acabou de ganhar sua primeira bicicleta do pai, e um sorriso de um adolescente que acaba de aprontar alguma coisa. E é doce, carismático, características que divide com seu personagem na novela Império, o amoral, aproveitador e delicioso Robertão. 

Rômulo diz que o personagem é bem diferente dele, mas quis levar uma certa ingenuidade para Robertão, justificando assim seus atos. Segundo ele “o personagem tem uma questão familiar difícil e é fruto de uma criação com poucos valores”. Robertão sabe que é sexy, tira proveito desse fato. Rômulo também sabe disso, mas diz que só usa sua sensualidade em seus personagens, e quando é preciso.

A carreira de ator começou depois de uma bem- -sucedida história na natação e depois na moda. Rômulo foi modelo aos 17 anos e morou em cidades como Nova York e Milão. Quando criança era muito tímido e negava todos os convites para participação em novelas com o pai, mas adorava um desafio e disse que um dia ia estudar atuação. Assim o fez. 

Aos 19 anos participou de um teste para Malhação e viveu de cara um protagonista, André. A carreira de ator engrenou e ele passou por novelas da Record e pelo musical Rock in Rio, até que voltou para a Globo para fazer Sangue bom e atualmente está no ar em horário nobre arrancando suspiros de uma nação. Segundo ele, Robertão mexe com o imaginário das pessoas, mas talvez seja o próprio Rômulo quem faça isso.  

"Choro no carro, no trabalho, na minha relação, no mar. Choro de tristeza e de felicidade. Choro muito"

O ator divide a vida com a namorada, a atriz Cléo Pires, que provoca as mesmas reações intensas nas pessoas. Os dois são uma espécie de Bonnie e Clyde, e, juntos há pouco mais de um ano, transformaram a vida um do outro com cumplicidade, parceria e amor. 

“Mesmo com personalidades distintas, somos muito parecidos.” Ele é Áries, com ascendente em Áries e Lua em Leão; e ela, libriana apaixonada por astrologia. “São signos complementares”, diz Rômulo. Os dois tatuaram a palavra “idem” nos dedos das mãos. 

Eles dividem o amor por séries, cabala, cinema, boa comida e música, e têm se aventurado juntos a compor letras e criar canções, uma das grandes paixões de Rômulo, algo que ele quer desenvolver mais, um dia. Porque no momento o desejo maior é fazer um longa-metragem. Rômulo ama cinema. Espera interpretarpersonagens bem diferentes. É um galã, mas não quer ser o tempo todo. Espera por personagens difíceis, que o tirem do lugar-comum, e para isso estuda, se dedica e tem se tornado cada dia mais disciplinado, algo que Cléo trouxe para ele. 

Robertão [seu personagem na novela] mexe com o imaginário das pessoas. Talvez seja o próprio Rômulo quem faça isso

Rômulo abraça. Forte. E olha no olho. É o tipo de pessoa que se mostra interessada no outro, gosta de ouvir, e gosta de falar. Para ele, um dia feliz tem que ter uma manhã de surf. Não à toa, este ensaio foi feito na Praia do Abricó, no Rio, depois que saiu do mar. “A sensação de estar dentro de um tubo é algo indescritível.” 

Indescritível é a beleza Rômulo Neto. Com todo o respeito, Cléo.

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