
Separa livros de meninas e livros de meninos, por favor, não! Isso é coisa do passado e nossas crianças não merecem essa moda antiga
Este mês queremos sugerir dois livros infanto-juvenis para a fogueira literária do Badulaque, sabendo que é de cedo que se torce o pepino. São eles O Livro Perigoso para Garotos e O Livro Maravilhoso para Meninas. Apesar de autores e editoras diferentes, ambos têm o visual parecido e pegam carona na mesma idéia: resgatar brincadeiras, atividades e interesses da infância dos nossos avós para as novíssimas gerações. Até aí tudo bem: também sentimos falta de crianças longe da TV, subindo em árvores e construindo os próprios brinquedos. O problema é quando, em pleno século 21, querem manter essas atividades separadas por sexo. Vamos dar uma folheada nos capítulos: entre outras coisas, o livro dos garotos ensina a fazer avião de papel, estilingue e periscópio. O livro das meninas, por sua vez, tem receitinhas culinárias, truques de maquiagem e regras de etiqueta. É bom ressaltar que são duas edições muito bem cuidadas, o conteúdo é atraente e bem escrito, e poderiam encantar igualmente meninos e meninas. Não fosse a completamente ultrapassada divisão por gênero, proposta já nos títulos das obras, em vez da fogueira, receberiam nossa recomendação. Mas sexismo, nos desculpem os cuidadosos editores, faz parte de um passado que a gente definitivamente não quer resgatar.
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