Queda caída
Nina Lemos foi à festa da queda do muro de Berlim e achou tudo chato, cafona e deprimente
O Muro / Créditos: Divulgação
Por Redação
em 10 de novembro de 2009
Bem, já que eu estou em Berlin, tenho que ir lá. Lá é o Portal de Brandenburgo, onde era comemorado os 20 anos da queda do muro de Berlim. Lá é o lugar para onde o mundo inteiro estava olhando. E lá estava cheio de líderes mundiais (nenhum que eu goste, só tenho um apeguinho ao Gorbachev, mas aquela chanceler alemã de direita… cruzes.)
Mas eu tinha que ir lá, senão deixaria de ser jornalista, o que talvez não fosse uma má idéia. Enfim, como vocês percebem, eu tô super de mau humor. Inferno astral. Sacam? Mas tá, eu fui lá. Não dava para ver nada. Vi o tal dominó que imitava o muro caindo de um telão. Achei cafona. Super cafona. Tinha gente com vela na mão. Isso, além de cafona, achei deprimente. Parece romaria; de novo, a chanceler católica. Medo.
Tinha uma banda tocando e disseram que era o Bon Jovi. Que horror! Será que fizeram isso para que o povo do leste percebesse que não ganhou assim tanta coisa virando capitalista? Se ainda fosse um REM… mas não.
Tinha muita gente quieta. Tinha jovem bebendo cerveja. Bem, foi um saco. Nem vi o portal porque os alemães sáo muito altos.
Eu gosto mesmo é de ver o povo cantando no karaokê ao céu aberto do Mauer Park, de ir em festa de squat e bar de punk. Fiquei achando que no portal só tinha gente de west Berlim e turista. E, sim, é verdade, eu tenho mais simpatia pelo povo do east.
Melhor parte: Desci de tobogã (é sério).
Pior parte: Se sentir sozinha no meio de milhares de pessoas (no sentido metafórico).
Conclusão: O Brasil vai arrasar nas Olimpíadas. Sabemos fazer festa melhor.
O que eu amo: a Berlim solitária e linda. E o Nick Cave.
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