Mesmo escrevendo “bem pouco”, a carioca Alice Sant’Anna, 24 anos, lança este mês o seu segundo livro, Rabo de baleia – o primeiro, Dobradura (2008), foi eleito o livro do ano pelo Jornal do Brasil. Ela também edita a revista Serrote, é colunista do jornal O Globo e faz mestrado em letras. Entre os compromissos, guarda os sentimentos em cadernos. “A poesia é uma forma de não deixar as coisas passarem”, diz. E também de escapar sem sair do lugar: “O rabo de baleia é abertura para uma viagem e também algo raro de se ver, sugere um animal gigante ali, escondido”.
Poeme-se
Alice Sant'Anna lança seu segundo livro e a Tpm adianta um trecho
Créditos: Alexandre Sant'Anna
Publicidade
Um enorme rabo de baleia
cruzaria a sala neste momento / sem barulho algum o bicho / afundaria nas tábuas corridas / e sumiria sem que percebêssemos / no sofá a falta de assunto / o que eu queria mas não te conto / era abraçar a baleia mergulhar com ela / sinto um tédio pavoroso desses dias / de água parada acumulando mosquito / apesar da agitação dos dias / da exaustão dos dias / o corpo que chega exausto em casa / com a mão esticada em busca / de um copo d’água / a urgência de seguir para uma terça / ou quarta boia, e a vontade / é de abraçar um enorme /rabo de baleia seguir com ela
Vai lá: Rabo de baleia, ed. Cosac Naify, R$ 28
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Tpm
Martine Grael: “Ter uma mulher no leme ainda mexe com o ego de muita gente”
-
Tpm
Xica da Silva: símbolo de empoderamento ou de hipersexualização da mulher negra?
-
Tpm
Pequenas moralidades
-
Tpm
Pervcam: o close que não queremos mais ver na Copa
-
Tpm
Angela Davis vem à FLIP pela 1ª vez. Aqui estão 5 livros para mergulhar na obra de uma das maiores feministas dos nossos tempos
-
Tpm
Frida Kahlo: como se faz um ícone
-
Tpm
Elas pagam a conta: por que a autonomia financeira é ferramenta indispensável para o destino de qualquer mulher?
Publicidade