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Os homens-pashimina

Os homens-pashimina

em 10 de julho de 2008

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Os homens modernos agora usam xale. Quer dizer, um lenço palestino chamado kaffyeh. Aprovamos e fomos descobrir de onde os caras, tão travados quando o assunto é moda, tiraram essa “coragem”

Há algo de diferente nos rapazes moderninhos que andam por aí. Depois de fazerem um revival do bigode, eles agora usam xale. Em dois dias contamos oito homens de xale em São Paulo. Achamos chique e fomos descobrir o que era aquilo.

Primeiro: não é xale. Pensávamos que era uma pashimina que eles usavam amarrada no pescoço. E ficamos contentes ao ver que os tão travados (quando o assunto é roupa) meninos brasileiros estavam mais livres, tendo coragem de usar uma peça antes considerada feminina.

Política da moda
Só que depois de muita pesquisa descobrimos que o lenço chama “kaffyeh” e é de origem palestina. Eles viraram febre na Europa depois que a grife Balenciaga os adotou em um desfile. No velho continente, virou uma questão polêmica. Em blogs, as pessoas discutem se quem usa tal adereço de fato apóia a causa palestina ou é apenas um mero seguidor de moda.

Uma polêmica estapafúrdia, pois é óbvio que somos todos seguidores de moda, mesmo com nossas convicções políticas. O administrador de empresas Afonso Antunes, 31, português radicado no Brasil, é um que aderiu. “Gosto desse lenço em particular por me fazer lembrar o Oriente. Também gosto do estilo rebelde-viajante. E para andar de moto é ótimo.” O designer José Maia também adora o seu. “É bonito, quentinho e ainda tem um caráter político.”

Então será que os homens estão ficando menos travados com moda e vão parar de falar que tal peça é coisa de gay? Segundo o editor contribuinte da revista Daslu, Mario Mendes, não é o caso de a gente se empolgar muito. “Para os homens adotarem alguma nova onda, primeiro ela precisa receber o aval de algum ícone de masculinidade que eles aprovam. Tipo, no Brasil, tem que ser usado por um jogador de futebol. Nesse caso eles usam porque é coisa de guerrilheiro, de macho.” Então tá.

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