por Duda Porto de Souza
Tpm #88

Lexotan? Rivotril? Frontal? As temporadas disponíveis de A Noviça Voadora curam depressão!

Como diz o simpático personagem criado por Frank Capra em um dos filmes mais lindos do mundo, A Noviça Voadora (1967), “desta vida nada se leva além do amor dos amigos”. Acontece que aos 24 anos eu não me sinto no direito de ter nenhuma certeza. Mas esta é a minha. Desta vida nada se leva além do amor dos amigos. Eu achava que a gente contava a vida antes e depois de ter filhos. Descobri recentemente que a gente conta a vida antes e depois de ter contato com a pessoa que nos dá asas, e é aí que nos encontramos no labirinto. Isso eu devo à melhor artista do mundo e amiga Sandra Cinto, que em 24 anos me acolheu pela primeira vez sabendo exatamente o que eu estava sentindo. Era como se eu pudesse morrer de felicidade ali.

Outra coisa que mantenho no meu coração e que tento passar para todos está no texto do meu fotógrafo preferido, Mark Borthwick, escrito no fim dos anos 70: “Nada é real a não ser as chances que recebemos”. Quando eu era pequena, falava para os amigos que tinha irmãos, e sou filha única. Pequenina, fui mandada para uma escola interna na Inglaterra pelos meus pais para aperfeiçoar meu inglês e me sair bem na St. Paul’s, escola britânica de São Paulo, onde estudei. Alimento essa paixão por coelhos, esse presente tão gratuito, e as pessoas me perguntam por quê. Eu digo que, quando cheguei à escola interna e fui para o meu quarto, abri a janela e vi vários coelhinhos pulando no campo. Tenho quase certeza de que é mentira, ou vi porque queria ver mesmo. E personifiquei Deus como um coelho. Fica um conselho.

Trabalho do coração

Comecei a trabalhar jovem, aos 14 anos, com a jornalista Erika Palomino, e não consegui fazer faculdade por sofrer de um grau sério de transtorno obsessivo compulsivo, que vinha dificultando minha vida desde pequena. Mas meus pais estavam preocupados com o meu excesso de peso, e cada semana era um médico de regime diferente. A eles eu devo todo meu conhecimento, educação e maneira de me apresentar para o mundo. Há um ano, com o início do tratamento para o TOC, fui parar no hospital com ataque de pânico, mesmo dia que recebi dos cineastas Mike Mills e Miranda July obras lindas com mensagens muito carinhosas para a exposição “Lápis Lapin” (www.lapislapin.blogspot.com), que estava planejando. Nesse período sinto que perdi vários amigos, ou o respeito deles, e a dor está aí e não no choro incessante nas horas no pronto-socorro.

Eu tenho muito orgulho de pensar que já fiz bastante coisa e já trabalhei para e com muita gente tendo tão pouca idade. Mas só faço se for com o coração. Só faço se puder dar meu melhor. Só faço se puder me envolver. Não me importo com quem já falou que não sou profissional ou que venha a falar. Para mim essa é a única maneira de existir. Acredito que a vida é feita de sacrifícios, de maiores e menores portes. Eu deixei de jantar várias vezes fora com amigas para comprar um anel inspirado nas obras do artista plástico Tunga, e essa peça me protege. Isso não é nada comparado com o que realmente precisamos fazer. Cansei de ouvir que precisamos pensar em nós mesmos primeiro. Para mim a vida é feita de admirar os outros. Paixão, respeito, confiança, ouça o próximo atentamente antes de tudo e cabeça baixa para ver o sorriso de uma criança. Não há nada mais importante para fazermos do que deixar o melhor para elas. Sobre os 22 quilos que emagreci nesse período? Eu não os senti até receber as asas muitos meses depois.

No país das maravilhas
“Conheci a Duda quando ela era pequena, de noite, no Xingu [casa noturna bem animada que funcionava no centro de São Paulo lá por volta de 2003]. Acontece que ela não tinha idade para estar ali, mas ia, bem tímida e com cara de brava. Ia sempre. Eu também ia sempre. Depois eu vi que de pequena ela não tinha nada, até porque ela ainda é pequena (de idade) e realmente grande de todo o resto. Tratava ela como minha filha e assim a trato até hoje. Vejo crescer uma mulher muito talentosa, muito grande de sensibilidade, ousada e competente, e isso me faz sorrir. Até hoje eu não sei o que ela fazia lá, todas as noites, no meio de tanta fumaça e diversão para os nossos diabinhos. Nunca perguntei mas acho que entendo. Como uma Alice no país das maravilhas do underground experimentando universos alheios ela queria crescer, fingir que era maior, e podia andar com adultos, como se ela já não fosse tão grande, não enxergasse o escuro e a parte de dentro do coração das pessoas, ela nem sabe o quanto…”
Rita Wainer, estilista

Dança de salão
“Vejo a pista da cabine de som se renovar verão após verão. Vejotrocar a tecnologia de som e luz e vejo a troca de hypes e pessoas há 23 anos. Duda veio em um verão desses cheia de curiosidade e interesse. Sempre ao lado da cabine, a vi em uma festa da Vogue em um hotel descolex da época. Com poucas palavras e um sorriso inconfundível, sentia que ela entendia o que eu estava tocando e sabia que entendia também o que estava sendo cantado, já que estudou em escola inglesa. Vieram vários clubes como também veio uma menina se descolando na noite de São Paulo. Costumo dizer que, dos cinco motivos que levam as pessoas a saírem na noite, um deles é a música. Duda era 100% a música e o que ela significava naquele momento. Com isso confirmava minha pesquisa e minha dedicação e me fazia voltar satisfeito pra casa, sempre de manhã.”
Felipe Venancio, DJ e produtor musical

Vai lá:
DVD de A Noviça Voadora na Fnac
Av. Paulista, 901, Bela Vista, São Paulo
www.fnac.com.br

DVD de A Noviça Voadora na Livraria Cultura
Av. Paulista, 2.073, Bela Vista, São Paulo
www.livrariacultura.com.br
R$ 100 em média cada temporada


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Arte que cabe no bolso
Bolsa e roupa parcelada? Nada disso! Arte para enriquecer sua vida por até um mil reais já!

Por Duda Porto de Souza*

Existem milhares de maneiras de você decorar sua casa não só com um sofá, uma mesa, cadeiras, ou inúmeros outros mobiliários e utilitários bacanas. Sua casa pode também respirar arte. Para aqueles que acham que colecionar arte é um mundinho fechado, restrito aos milionários, há infelizmente um tanto de razão nos seus pensamentos. Mas a imaginação é capaz de resolver tudo, principalmente se você gosta de arte!

Olho em volta do meu pequeno apartamento na Santa Cecília, em São Paulo, e vejo uma obra de Loretta Lux – uma fotografia da instalação apresentada recentemente na exposição “Unveiling the Middle East” na poderosa Saatchi Gallery, em Londres. E uma obra da pintora Elizabeth Peyton, que em 2008 teve sua

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