O home office de Thati Lopes, do Porta dos Fundos

por Carol Ito

A atriz conta como têm sido as gravações na quarentena, fala sobre carreira e a presença feminina no humor: ”As coisas estão mudando. Não é mais só aquela mulher gostosa que não é engraçada”

Thati Lopes vem cravando seu nome na cena do humor nacional como parte do elenco do Porta dos Fundos, canal com mais de 16 milhões de seguidores no YouTube. Ela é um dos destaques de Trabalhando em casa, uma espécie de sitcom gravada por aplicativo de videochamada que virou hit do canal em tempos de confinamento. Na série, ela interpreta Solange, uma mãe que não faz questão de esconder que está surtando com filhos e com o home office. "Se eu tentar ser engraçada, vai ficar ruim, forçado, over. Eu sinto aquilo de verdade. Acho que a graça tá nisso", diz ela.

A atriz, de 30 anos, cresceu em Niterói (RJ) e antes da fama conquistada com o Porta dos Fundos, fez de tudo um pouco: foi locutora na porta de uma loja de roupas, garçonete-cantora de um bar carioca, mutante da Record, além de atuar em diversos musicais. Seu último trabalho na televisão foi no elenco da novela Espelho da Vida, exibida em 2018, pela Globo. 

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A história no Porta dos Fundos começou com participações em alguns episódios, em 2012, até a contratação, em 2015. "Um amigo disse que conhecia uma produtora que iria lançar um negócio na internet. Na época, pensei: "Internet? Eu quero é trabalhar na Globo!". Mas eu fui lá ver como era. Eu não tinha ideia da proporção que o canal iria tomar, foi um estouro logo na estreia", relembra.

No papo com a Tpm, ela fala sobre a quarentena ao lado do pai e de Victor Lamoglia (também ator, com quem namora há seis anos), como foi transformar sua casa no Rio em cenário para os episódios de Porta dos Fundos e discute a presença feminina no humor: "Acho que as coisas estão mudando. Não é mais só aquela mulher gostosa que não é engraçada, como rolava em alguns programas. Agora você pode ser gostosa, sim, e engraçada". 

Tpm. Como começou sua história como atriz?

Thati Lopes. Eu comecei criança, com 10 anos. Minha mãe faleceu e decidiram me colocar num curso de teatro pra me distrair. A partir daí, tudo que eu gostava de fazer estava relacionado à arte. Com 18 anos, tentei entrar na faculdade, prestei teatro, jornalismo, estudo de mídia, não consegui passar e também não poderia pagar uma faculdade particular. Nessa fase, eu larguei o teatro e fui trabalhar com outras coisas. Trabalhei em loja de roupa, garçonete-cantora num bar do Rio, fui locutora de porta de loja, ficava chamando clientes, inventando rimas. Depois que fui demitida de uma loja de roupa em que trabalhava, comecei a fazer muitos testes, até que passei pra fazer uma peça infantil num teatro do Rio. Foi o primeiro trabalho que vi que conseguiria me sustentar. Pouca gente sabe, mas também fiz uma participação como mutante da Record [na novela Os Mutantes]. Com a peça Tudo por um popstar, baseada no livro da Thalita Rebouças, e as novelas Boogie Oogie e Espelho da Vida, na Globo, comecei a ficar mais conhecida, em paralelo com as participações no Porta. 

Você sempre foi para um lado mais cômico? Foi por acaso, eu tô aberta a tudo. Eu fazia palhaçadas no teatro e, no Porta, fui aprendendo a fazer humor observando a galera. Eu fui chegando nesse lugar, encontrando meu timing.

“Lia comentários horríveis do tipo: 'o Gregório tá ótimo, mas a Thati podia mostrar mais os peitos'”

Como a entrada no Porta dos Fundos impactou na sua carreira? Comecei a fazer participações no Porta dos Fundos bem no início do canal, em 2012. Um amigo me disse que conhecia uma produtora que estava para lançar um negócio na internet. Na época, pensei: "Internet? Eu quero é trabalhar na Globo!". Mas eu fui lá ver como era. Hoje, você vê muita gente falando que sonha em trabalhar no Porta, que quer participar de séries feitas para a internet. Em 2012 não tinha isso, não tinha um Netflix para almejar. Eu não tinha ideia da proporção que iria tomar, logo depois da estreia foi um estouro, até que fui contratada, em 2015. Muito do que conquistei foi por causa do Porta: a visibilidade, os convites para fazer cinema, televisão. É um privilégio que tenho. 

Como foi a adaptação do conteúdo do Porta dos Fundos para o formato quarentener? De início, estava tudo incerto. Entramos em quarentena no dia 16 de março e ficamos algumas semanas parados, tentando entender o que estava acontecendo. Depois, a equipe começou a criar novos roteiros em cima do tema da pandemia, mandaram para a gente e falaram: "Vamos fazer". Nisso veio a série Trabalhando em Casa, em que interpreto a Solange.

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Como foi criar essa personagem, que é uma mãe surtando na quarentena? Todo o texto que a equipe de roteiro manda já tá muito na nossa boca. Eu amo como o Fabio [Porchat] escreve. Quando o roteiro é dele, ele bota muita coisa que sabe que vai ficar legal para mim. Eu não penso em ninguém na hora de interpretar, só leio e faço, sem uma grande preparação. Eu não me sinto comediante, humorista, sabe? O texto do Porta já é surreal, os diálogos, as situações que acontecem... Se eu tentar ser engraçada, vai ficar ruim, forçado, over. Eu tenho que acreditar, eu sinto aquilo de verdade. Acho que a graça tá nisso. 

Sua casa virou cenário para os episódios, que são vistos por milhões de pessoas. Como está sendo isso? É um trabalho novo para mim, porque, agora, o figurino é meu, eu assino a maquiagem e tudo. Tenho que organizar as coisas para gravar, ao invés de chegar na locação já com tudo pronto, como era antes. Mas não me importo em mostrar meus cantinhos. Estou com o Vitor e meu pai e, no começo, o povo ficava falando enquanto eu tava gravando, mas com o tempo a gente foi se acertando. 

Você acompanha a repercussão dos vídeos? No início, eu olhava muito, só que ficava irritada com comentários machistas. Por exemplo, quando o vídeo tinha algum tipo de conotação sexual, vinham uns comentários no YouTube horrorosos, do tipo, "o Gregório [Duvivier] tá ótimo, mas a Thati poderia ter mostrado mais os peitos". Acho que parei de ler por conta disso. 

O universo do humor ainda é muito masculino? Sim, não tem nem o que discutir. No próprio Porta temos mais homens. Mas eu acho que, de um tempo pra cá, a coisa está avançando. Contrataram roteiristas mulheres, o que não existia há alguns anos. No humor, em geral, acho que as coisas também estão mudando. Não é mais só aquela mulher gostosa que não é engraçada, como rolava em alguns programas. Agora você pode ser gostosa, sim, e engraçada. 

“Se eu tentar ser engraçada, vai ficar ruim, forçado, over. Eu tenho que acreditar, eu sinto aquilo de verdade.”
Thati Lopes, atriz

Em quais mulheres se inspira no humor? Quando eu era adolescente, era a louca do [espetáculo teatral] Cócegas, da Ingrid Guimarães e da Heloísa Périssé. Eu assistia muito aquilo. Nos primeiros testes que fiz, lia textos do Cócegas.

Como está sendo viver em quarentena? Além de trabalhar, eu tô aproveitando esse tempo em casa pra fazer trabalhos manuais. Faço mosaico, costuro, comprei um microfone pra ter aulas de canto. Faço inglês, pilates, tô ocupando o tempo com muitas coisas. Durante o dia, não consigo ficar sem fazer nada. Além disso, fico tentando distrair meu pai, que é idoso, faço uns vídeos no TikTok com ele. O que eu mais tô amando nisso tudo é não ter que me arrumar, me maquiar para sair. Não me considero vaidosa, então se eu puder fazer nada, é perfeito. Fico o dia inteiro de pijama.

Em quais projetos está trabalhando? Não dá para falar em datas de estreia, porque está tudo incerto, mas vou participar de um reality que o Porta vai lançar para escolher um novo integrante, que chama O ex-futuro Porta. Estamos fechando o especial de Natal para a Netflix também. Entre outros filmes, vou estar em Cedo demais, junto com o [humorista] Yuri Marçal, no filme Carlinhos e Carlão, com o [ator] Luis Lobianco, e em Liberdade Mata, comigo e Marcelo Serrado de protagonistas.

Créditos

Imagem principal: Faya

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