Estrela ascendente

por Manuela Aquino

O ator Romulo Estrela bate um papo com a Tpm sobre a carreira, a paternidade, a relação com o esporte, com a literatura, com a vida...

O maranhense Romulo Estrela está em um grande momento na carreira. Aos 35 anos, o ator encara seu segundo protagonista em uma novela global, Bom Sucesso, primeiro trabalho na emissora em que vive um personagem contemporâneo. Antes, tinha feito o papel principal de Deus salve o rei e enfileirado papéis em diferentes novelas de época (Além do tempo e Liberdade liberdade, na Globo, e fez também um personagem bíblico em O Rei Davi, na Record), até finalmente chegar ao presente, com Marcos, na atual novela das 19h da Globo, Bom Sucesso. 

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Sua chegada a um folhetim pautado nos dias atuais veio carregada de discussões que têm movimentado a sociedade. “A gente fala de assuntos que estão nas conversas com os amigos, no trabalho. A trama já começa com uma personagem forte, que gera uma empatia com o público. A Paloma é um retrato de muitas brasileiras, uma mãe solteira de três filhos, que trabalha, mora longe e cuida da casa. Além disso, falamos de morte, com uma abordagem delicada sobre um tema que geralmente não gostamos de tocar”, diz, sobre a trama em que vive Marcos, filho de Alberto (Antonio Fagundes), dono de uma editora que está lidando com uma doença terminal, e é apaixonado por Paloma (Grazi Massafera), mulher batalhadora que segura as rédeas da família.

No papo com a Tpm, Romulo falou da novela, mas também passou pela relação que mantém com as redes sociais, com o corpo, com a morte e das descobertas da paternidade. 

Tpm. Sua família na novela tem uma editora e no roteiro há sempre o papo de literatura, sobre os clássicos. Como é sua relação com os livros?
Romulo Estrela. Quando pequeno, eu lia os livros que a escola mandava mesmo, não posso dizer que fui um apaixonado desde sempre por literatura. Mas, claro, descobri ainda pequeno a leitura, quando meu pai lia para mim antes de dormir. Tenho essa imagem dele narrando e tudo mais. Quando, por volta dos 16, comecei a estudar interpretação, passei a sentir necessidade de ler mais, as peças clássicas, os grandes autores, tinha muita coisa que eu precisava aprender, inclusive para compor os personagens. Passei a curtir muito, à medida em que aumentava essa demanda, e, hoje, ler é a coisa mais natural que existe para mim. Sempre foco em dois ou três livros por vez, e sempre tem um ficcional e um outro que possa me ajudar na profissão, técnico ou não. No momento, por exemplo, estou lendo: Psicopatas do cotidiano, da Katia Mecler; O cérebro no mundo digital, da Maryanne Wolf, que me serve como material para atuação; e, para relaxar, estou lendo Até o fim, um thriller policial do Harlan Coden.

Como faz para ler três livros ao mesmo tempo e ainda dar conta de decorar as falas, já que você grava todos os dias? Quando comecei a gravar Deus salve o rei, eu tinha um volume gigante de texto e aquilo começou a me sufocar. Passei a experimentar um jeito diferente de lidar com essa rotina de decorar e funcionou muito para mim. Eu leio de maneira geral as cenas daquela semana, mas não decupo cada uma, deixo para ler quando eu chego na Globo, antes de gravar realmente. Mas, para conseguir decorar rapidamente, preciso esvaziar a cabeça. Então, mudei a rotina e, quando chego em casa, não pego texto. Tomo banho, janto com calma, leio uma dez páginas do meu livro, vejo um filme. Isso descansa a mente, caso contrário, só vivo a novela e chega uma hora que acabo não produzindo como deveria.

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Bom Sucesso também fala sobre morte e trata do assunto de uma maneira leve. Você já teve experiência de perder alguém próximo? A novela, de alguma maneira, te ajudou a mudar sua visão sobre nosso fim? A gente não sabe muito abordar esse tema, mas quando você começa a entender que a chegada da morte é inevitável, todos os dias passam a ser importantes. A novela me trouxe essa consciência maior sobre a vida, de se dedicar com mais intensidade ao presente, principalmente porque na trama estamos lidando com uma doença terminal. Perdi meus avós maternos e paternos. Lembro que eu sentia dor, não entendia muito o sofrimento. Hoje, passados alguns anos, tenho um entendimento mais tranquilo. Minha avó Ione era aquela que reunia todo mundo e eu frequentava muito a casa dela. Perder sua companhia me marcou demais. Ela se foi há 16 anos e consigo ter consciência de que ela viveu feliz, que esteve presente. Consigo falar sobre o assunto e perceber que foi tudo da melhor forma que poderia ter sido.

Quando a trama estreou, você apareceu muito sem camisa e sua boa forma teve a maior repercussão. Isso não te incomodou, chamar atenção pelo tanquinho, já que você atua há anos? Não me incomodou, não, pois as pessoas nunca tinha me visto sem camisa e acho que gerou uma curiosidade. Fiz uma sequência de novelas de época, sempre muito vestido. Dei muitas entrevistas sobre, mas adoro falar do meu trabalho e, se meu corpo está relacionado a isso, tudo bem. Eu precisei ficar mais em forma para o personagem, isso é fato, e também é coerente. O Marcos faz pesca submarina, precisa ter preparo físico. Independentemente do personagem, me cuido. Tenho um ritmo muito intenso de trabalho, mas consigo fazer jiu-jitsu três vezes por semana, não só pelo personagem, mas também porque amo a modalidade. Para mim, é um lugar de descontração. Como preciso cuidar do meu corpo de todas as formas, também vou semanalmente a um quiropata, que faz um ajuste na minha coluna, me coloca no eixo. Parece uma coisa só física, mas refaz, de maneira absurda, a ligação entre meu corpo e meu cérebro. Se não consigo dormir, pois estou tenso, faço uma sessão e tudo muda, fico descansado, passo a dormir bem. É impressionante. Malho o corpo também porque preciso e sinto necessidade, para acompanhar o ritmo do meu filho.

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Sempre foi do esporte? É minha paixão desde criança e meu pai era professor de educação física, então, a influência veio de casa. Comecei com judô aos cinco anos e nunca mais parei de fazer alguma atividade. Curto muito pedalar e nadar, atividades que não precisam de uma academia para serem feitas. Já tive uma academia, fiz faculdade de Fisioterapia… Para mim, o esporte é um catalisador de coisas boas, onde você aprende a ter senso de equipe, a pedir ajuda, a dividir.

Além dos valores do esporte, o que você quer passar para seu filho, Theo, que tem três anos? Valores de humanidade, de ter amor ao próximo, empatia e respeito. E acredito que isso venha totalmente de exemplo. Mas seria totalmente injusto eu pensar por ele, o que eu e Nilma [esposa do ator, de 32 anos] fazemos é disponibilizar nosso tempo e dar atenção para ajudá-lo na caminhada. Para isso, precisa estar aberto a aprender também, se questionar e colocar em cheque muitas de suas crenças. Depois que fui pai, passei a não julgar mais nenhum pai e nenhuma mãe, pois a gente não sabe o que acontece nas famílias, não conhece a dinâmica dos outros. Só que, às vezes, eu olho e vejo uma família na mesa do restaurante, com as crianças já com o celular. Eu não quero que meu filho use o celular no restaurante, quero que ele compartilhe, que saiba esperar, que experimente as coisas. Tem que tomar cuidado para essa geração não se tornar aquela que não conversa e vai ser super normal uma família não conversar à mesa.

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 E sua relação com o celular, como é? Não sou contra de jeito nenhum. Mas me preocupa que, por hora, não sabemos ainda dos possíveis malefícios. Não temos ideia de como serão as consequências dessa nossa vida com celular nas mãos. Como fica o cérebro com este tanto de estímulos? Não sabemos.

Você cuida pessoalmente da sua rede social? Procura se policiar com o uso? Eu mesmo cuido e não me obrigo a postar sempre. Faço quando quero e uso para mostrar minha verdade, o fato de ser um cara família, que gosta de ficar em casa, esse sou eu mesmo. É o tipo de conteúdo que sinto prazer em compartilhar. Quando fiz minha conta no Instagram, era muito ativo, perdia muito tempo, às vezes ficava de bobeira meia hora vendo postagens. Hoje, uso menos, mas não deixa de ser também minha ferramenta de trabalho, afinal, a publicidade está neste lugar. Foi uma mudança e aconteceu uma migração natural dos artistas e atores para as redes sociais. O legal é que elas viraram um lugar onde qualquer pessoa tem voz ativa e isso trouxe para as marcas uma outra forma de interação, uma busca com quem realmente as representa, seja um ator com cinco milhões de seguidores, seja um influencer com cinco mil. Mudou na publicidade, para a gente, para o mercado editorial. Tudo faz parte de um processo de inovação e daqui a pouco vamos ter outra realidade, talvez um outro aplicativo, não se sabe. Mas é preciso acompanhar.

Créditos

Imagem principal: Robert Schwenck/Divulgação

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