por Tania Menai
Tpm #104

Chegar na hora marcada é sinal de respeito e consideração com o outro

 

Tempo. Essa é uma das maiores diferenças culturais entre países e sociedades. E não tem jeito, se você muda de cidade, há de se adaptar aos costumes locais. O mesmo vale para quem visita um país. A maneira como lidamos com o tempo também tem a ver com respeito pelo outro. Gente sempre cri-cri com horário – mesmo aos domingos – é chata. Mas gente que vive atrasada é insuportável. Tudo bem, a vida não é uma Suíça, imprevistos acontecem, mas equilíbrio faz bem. O que faz alguém pensar que o tempo do outro não é importante? Para muitos, tempo é dinheiro. E, mais que isso, tempo é sinônimo de consideração.

As duas vezes em que fui cobrir eventos onde Lula seria o principal atrativo em Nova York, ele chegou descaradamente atrasado. E por atrasado entenda-se duas horas. O primeiro evento seria seguido de um show de Paulinho da Viola acompanhado de seu pai, que se apresentaria pela última vez em sua carreira. Pois nosso presidente chegou tão tarde – e sem pedir desculpas – que só sobrou tempo para duas músicas da dupla. Foi triste demais. A segunda vez, anos mais tarde, Lula veio divulgar o Brasil para agentes de turismo americanos. O evento estava marcado entre nove e 11 da manhã. O presidente chegou “pontualmente” às 11. Novamente não pediu perdão.

Charme, certeza?
Até os shows de brasileiros aqui atrasam. Ivete Sangalo atrasou meia hora na coletiva de imprensa e não se desculpou. Não contratou tradutor para os repórteres americanos e seu show no Madison Square Garden tampouco começou na hora.

Esses atrasinhos não são vistos como charme, mas como falta de profissionalismo. Não há nada melhor do que saber que se pode contar com alguém na hora marcada. Alguém que não te deixará de pé no frio ou no calor, esperando infinitamente. Quem não acordou às seis da manhã para uma reunião que começaria às sete e que, por causa dos outros, começou às dez? Tudo bem chegar às oito numa festa onde se diz 19 horas. Mas, em Roma, deveríamos fazer como os romanos. Nos Estados Unidos, chegue na hora – seja no restaurante, numa festa ou em qualquer encontro. E leve esse hábito na mala de volta para o Brasil.

Tania Menai é jornalista, mora em Manhattan há 13 anos e é autora do livro Nova York do Oiapoque ao Chuí, do blog Só em Nova York, no site da Tpm, e também do site www.taniamenai.com

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