por Natália Bojanic

Natália Bojanic, jornalista, dá dicas da região balneária do país e fala de sua riqueza: o mar

A ideia que eu tinha do Egito é provavelmente mais obsoleta que o próprio Egito antigo: múmias, deserto e, é claro, as pirâmides de Gizé. Além de um horizonte homogêneo com pequena variação de tons de areia. Mas a região de Sharm el Sheik, próxima ao mar Vermelho, trouxe cor, exuberância e vida para a minha visão da península do Sinai.

A apenas 40 minutos de avião, partindo do Cairo, a capital egípcia, encontra-se o paraíso da vida marinha. Sharm el Sheik é um destino que se torna cada vez mais popular entre os europeus que não querem passar 24 horas no avião e pagar uma fortuna para mergulhar na famosa barreira de corais da Austrália. A literalmente metros do áspero deserto, e bem distante de cobras e escorpiões, existe um oceano de opções. O fundo do mar é a maior riqueza de Sharm el Sheik.

Em Ras Mohamed, o parque nacional na península do Sinai, uma reserva ecológica para mergulho com mais de 480 quilômetros quadrados, o ecossistema foi preservado. O parque foi criado há apenas 20 anos, quando finalmente o acordo de paz entre Israel e Egito foi assinado e o Egito ganhou o direito de explorar a área, e tem mais de mil espécies de peixes, 150 espécies de corais e ilimitadas outras formas de vida aquática. A diversidade é tão grande que mesmo no rasinho, com máscara e snorkel, é possível se surpreender com o colorido.

"A diversidade é tão grande que mesmo no rasinho, com máscara e snorkel, é possível se surpreender com o colorido."


Resolvi me aventurar em águas mais profundas e fiz um curso certificado pelo Padi (órgão internacional de mergulho). Confesso que após a parte teórica, com todas as instruções, alertas e perigos relacionados a respirar debaixo d’água, achei que fosse me afogar na piscina infantil do hotel antes mesmo do batismo em água salgada. Porém minha instrutora russa e meu colega de curso grego me fizeram entender que o importante é relaxar e respirar tranquilamente.

A beleza é indescritível. Nadar entre cardumes ou ser surpreendida com um exemplar de espécie rara é realmente emocionante. O ecossistema é tão bem preservado que mesmo as raias, conhecidas por seu comportamento hostil, nadam tranquilamente entre grupos de mergulhadores. Para aqueles com fobia de água, o passeio no submarino ou no barco com o fundo transparente (glass botton) é uma opção seca e segura.

Segurança
Após o atentado de 2005, em que militantes beduínos foram responsáveis por soltar três bombas em diferentes lugares, resultando na morte de 88 pessoas e deixando outros 200 feridos, a segurança chega a ser assustadora.

Principalmente nos resorts de redes internacionais. O procedimento básico e padrão consiste em ter a primeira portaria posicionada estrategicamente bem distante da rodovia que dá acesso ao hotel. Todo e qualquer veículo é meticulosamente inspecionado antes de entrar nas dependências, ou seja, guardas da polícia especial com cachorros vasculham até o porta-malas do carro.

Em seguida, antes da entrada principal do hotel, existe uma barreira com detector de metal e um segurança muito gentil que tenta amenizar o constrangimento que é ter sua bolsa revistada toda a vez que você, hóspede do hotel, retorna para ele.

Mas isso não é nada comparado com o esquema de segurança armado pelos homens de preto da Casa Branca. Hillary Clinton estava hospedada a dois quartos de distância do meu, e esses dois quartos estavam ocupados por seguranças, assim como os outros dois situados à esquerda do quarto da ex- first lady. Uma mesa com três seguranças 24 horas de plantão foi instalada na frente da porta dupla que dá acesso a Presidencial Villa.

E, quando Sharm el Sheik é a sede de conferências internacionais, um segurança a cada 500 metros faz guarda no deserto. Eles não podem sentar nem por um minuto, a função deles é vigiar a área e denunciar qualquer ameaça vinda do meio do nada.

"Recomendo reservar boa parte do orçamento para acomodação – nada pior do que estar em um hotel ruim entre o deserto e o oceano"

Onde ficar
O investimento no turismo foi faraônico. Na década de 80 havia apenas três hotéis, hoje em dia existe mais de uma centena deles. Com tantas opções, basta escolher qual se encaixa no seu estilo de viagem. Porém a variedade às vezes induz ao erro. Por isso, recomendo reservar boa parte do orçamento para acomodação – nada pior do que estar em um hotel ruim entre o deserto e o oceano.

Opções internacionalmente conhecidas, como Ritz-Carlton, Four Seasons e Hyatt Regency, são escolhas certas. São os top resorts em Sharm el Sheik. Construídos em estilo mediterrâneo, repletos de jardins, piscinas em estilo lagoa, quartos com vista para o azul do céu e do mar e atendimento acolhedor, a estada nesses lugares garante a satisfação da viagem.

Já Maritim Jolie Ville Resort, Sheraton Sharm el Sheik Hotel and Spa,Marriott Beach Resort e Novotel Sharm el Sheik são hotéis de cinco e quatro estrelas com boa reputação.

Não tive a oportunidade de visitá-los, mas antes de escolher o seu hotel verifique se ele tem vista para o mar. Pessoalmente, recomendo o Hyatt Regency: tem restaurantes incríveis (Sala Thai e Souk) e logo em frente da praia privada do resort está um dos melhores pontos de mergulho, em Naama Bay.

O que fazer
Os resorts paradisíacos, com fantásticos spas, piscinas climatizadas e atividades que vão dos campos de golfe à pista de patinação do gelo, podem fazer você não querer sair do hotel, mas existes excursões muito interessantes para motivar você a levantar cedo da sua king size bed com lençóis de algodão 100% egípcio!

Cairo: existem excursões diárias para visitar as pirâmides de Gizé e a Esfinge. Antes de ir para Sharm el Sheik, fiquei três dias no Cairo, mas se você for direto para o litoral não perca a chance se visitar a cidade que abriga uma das sete maravilhas da humanidade. Além do mais, o caos do Cairo é excitante: Mercedez, Ladas e camelos dividem a mesma faixa de trânsito ao redor do Nilo.

Monastério de Santa Catarina: patrimônio mundial da Unesco. Formidável e gigantesco monastério, construído no século 6 durante o Império romano no suposto local onde Moisés recebeu a direção de Deus para guiar os israelenses do Egito a Canaã. Assim como Moisés, os turistas para entrar no território santo devem retirar as sandálias.

Monte Sinai: lugar sagrado para católicos, mulçumanos e judeus, tem vista para o monastério na altura de 2.285 metros. Pôr do sol inesquecível.

Canyon colorido: expedição nas coloridas formações rochosas evidencia que o Sinai há milhões de anos era coberto por água, ou seja, prova que o mar virou deserto. A caminhada de duas horas embaixo do sol quente pode ser um pouco cansativa, por isso existem opções como jipe, bicicleta ou até mesmo no mais autêntico estilo árabe: camelo.

O que realmente vale a pena nesses passeios é a experiência única de estar no deserto. Em minha ignorância, achava que o deserto árabe seria apenas uma versão amplificada das dunas de Natal. Mas ele é muito mais do que um amontoado de areia. A beleza das intrigantes formações geológicas e a sensação de imensidão fazem qualquer um se sentir insignificante perto do poder e magnitude da natureza.

"No centro você também encontra cafés beduínos com almofadas, tapetes e narguilés, contrastando com formas mais internacionais de entretenimento"

Compras
“La Shokran” é a sentença mais útil no centro comercial. Ao contrário do que você deve estar pensando, a tradução não é “quanto custa?” e sim “não, obrigada”. É bem sabido que o comércio está na veio do povo turco-otomano, por isso chega a ser irritante a insistência e perseverança que eles têm para tentar vender quinquilharias para os turistas.

A boa notícia é que, com muita paciência, é possível pechinchar e reduzir até 50% do preço original.

As bijuterias com coral e turquesa são o “must have”. Colares, pulseiras, brincos para todos os estilos. Existem muitos artigos de couro, porém depois de comprar uma bolsa de crocodilo e descobrir que ela cheira peixe acho melhor você não cair na mesma armadilha...

Na’ama Bay: área principal, construída para turistas. Mil e uma lojas vendendo artigos muito similares, que vão desde especiarias, souvenirs, artigos de decoração a roupas e relógios falsificados. Nesse centro você também encontra cafés beduínos com almofadas, tapetes e narguilés, contrastando com formas mais internacionais de entretenimento como Pacha, Ministry of Sound, Buddha Bar e Hard Rock Cafe.

Sharm el-Maya ou Old Sharm: mais antiga e tradicional parte de Sharm el Sheikh. Consequentemente uma atmosfera mais autêntica, lojas com todo tipo de quinquilharia e preços baixos. Restaurantes típicos e o único lugar em Sharm el Sheik onde eu escutei o chamado para a reza vindo da mesquita.

Palavras úteis
Oi:
El Salamou Alikoum
Bom dia/boa tarde: Sabah el Khir
Boa noite: Massa el Khir
Obrigada: Shoukran
Por favor: Laou Samahtt
Não, obrigada: La Shokran
Quanto custa: Bekamm

Informações úteis
País:
Egito
Capital: Cairo
Língua: árabe
Religião: 94% islâmica.
Importante: vestidos longos, pashiminas, batas e biquínis com corte europeu (Trya, Jo de Mer) em respeito à cultura local.
Moeda: libra egípcia (R$ 1 = 2,9 EGP)
Visto: solicitar na Embaixada
Quando visitar: de outubro a abril, temperatura 21-26 ºC; maio-junho 28-32 ºC. A partir de julho a temperatura pode chegar a 50 ºC.
Transporte público: táxi, os oficiais são branco e azul, negocie o preço antes de entrar, pois a maioria dos taxistas não liga o taxímetro.

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