Memórias do Circo Voador
Livro conta a trajetória da casa de shows carioca, palco de noites históricas da música brasileira
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Montado nas areias do Arpoador no início dos anos 80, em pleno regime militar, o Circo Voador rapidamente se transformou numa plataforma de lançamento de novos artistas de todo o país. “Nos idos de 82, quando o Circo surgiu, novatos como Lobão, Barão Vermelho, Paralamas, Titãs, Ira! e Legião Urbana se apresentavam ali e experimentavam o desafio de se tornarem protagonistas da música brasileira. O sabor da conquista enchia nossos egos e nossas noites de porres homéricos”, relembra a produtora Maria Juçá, 65 anos, autora de Circo Voador: A nave, que conta a trajetória da casa hoje sediada na Lapa, no Rio de Janeiro. À Tpm, Maria, diretora do Circo desde 1991, falou sobre o livro.
Qual foi o significado do Circo Voador? Foi um grito de liberdade para toda uma geração de artistas, pensadores e produtores oprimidos por um período de 18 anos de ditadura. Queríamos um espaço para espetáculos e discussões.
Qual foi o episódio mais marcante? Toda vez que um artista consagrado pisava em nosso palco era um aval à nossa proposta. Momentos com Tim Maia, Caetano Veloso, Chico Buarque, Luiz Melodia, Hermeto Pascoal, Rita Lee, Gal Costa, entre tantos outros, são privilégios do nosso trabalho. Mas também houve furos. Uma vez o Egberto Gismonti ia se apresentar e, no dia do show, ele me perguntou: “Querida, cadê o piano de meia cauda?”. Eu simplesmente havia esquecido da parte mais importante do show! Por sorte, consegui um emprestado de última hora.
Como foi o fechamento em 1996? O prefeito eleito Luiz Paulo Conde resolveu comemorar no Circo sua eleição. Em princípio, ele viria na sexta, noite de reggae. Fiquei arrepiada, porque a galera carregava um arsenal de marijuana e corríamos o risco de parar na delegacia. A equipe de Conde decidiu mudar o dia, mas a emenda foi pior. Queriam o sábado, que reunia Ratos de Porão, Garotos Podres e Serial Killer. Argumentei que a mistura com os punks seria explosiva, mas não adiantou. No horário do show, entra a comitiva do prefeito e acontece o esperado: vaias, palavrões e a expulsão deles. No dia seguinte, o Circo estava cassado e iniciou-se uma batalha judicial de oito anos para reabri-lo.
E o documentário Circo Voador: A nave, de Tainá Menezes, quando estreia? No segundo semestre deste ano. Em 90 minutos, o filme conta a trajetória dos mais de 30 anos do Circo. Há momentos hilários, como o do João Gordo xingando os responsáveis pelo fechamento da casa ou de Tim Maia falando dos bicões do lugar. Tá lindo.
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