Mariana Sperandio
"Gosto das histórias que estão por trás de cada peça", diz a estilista de 23 anos
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A primeira vez que a estilista paranaense Mariana Sperandio, 23, saiu da casa dos pais foi pra não voltar tão cedo. Aos 17 anos, partiu para um intercâmbio na Inglaterra, depois morou em Curitiba, Maringá, Madrid e São Paulo. Hoje, sete anos depois, ela volta à pequena Paranavaí e à casa dos pais pra levar adiante o projeto que iniciou no seu trabalho de conclusão de curso: sua marca de roupas femininas, a Tarsila. “Decidi voltar quando percebi que havia por aqui um mercado forte e ainda com espaço a ser explorado. O Noroeste do Paraná é hoje um dos principais polos confeccionistas do país. Minha ideia é introduzir um novo pensamento sobre o consumo de moda, apresentando para esse mercado, acostumado a massificação das confecçoes, um produto de design, com caráter autoral, que preze pela qualidade e pelos processos manuais de fabricação.”
Mariana pensa a moda como uma poderosa forma de expressão. O que a encanta na área vai além da tendência da semana e o hit da vez. “Gosto das histórias que estão por trás de cada peça. Tento transformar minhas referências em roupa. Uma música, um livro, uma tela, uma nova combinação de cores podem ser inspirações.”
Assim como em suas criações, seu estilo pessoal foi sendo moldado com o tempo e pelas referências que ele lhe deu. Gosta de peças mais geométricas, adora alfaiataria e costuma usar muito preto, branco e nude. Em contraponto, “Tenho um quê meio hippie. Uso com frequência saia longa, calças largas, misturo acessórios e até meu cabelo sempre foi meio bagunçado”, entrega.
O contato íntimo com a arte e a questão de “manter os olhos bem abertos”, faz com que a estilista sinta dificuldade em eleger qual época a inspira mais, seja pra criar ou se vestir. “Mas assumo: sou fascinada pela década de 20. Toda aquela explosão cultural, as vanguardas europeias, o movimento modernista surgindo no Brasil. A cintura deslocada, os bordados e cabelos curtos, Coco Chanel trazendo a indumentária masculina para o guarda-roupa feminino, a fase oriental de Poiret, Tarsila do Amaral com seus coques, brincos, colares e batons”.
A forte relação com o vestuário e seus processos de produção foi aprendida com a mãe, “ainda pequena ia com ela escolher tecidos. Nas minhas festas de aniversário ela sempre bolava uma fantasia que tivesse a ver com o tema, me vestia de princesa, chapeuzinho vermelho. Tudo isso me incentivou a criar um olhar mais lúdico e uma relação de carinho com o que visto”.
Vai lá: o site da marca Tarsila ainda não está no ar, então aqui vão os contato da Mariana: mariana.sdl@hotmail.com, e no Instagram: maria_sperandio.
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