por Ana Manfrinatto

Hoje é feriado aqui na Argentina. Pra que ninguém esqueça que há exatos 30 anos, no dia 2 de abril de 1982, o país declarava guerra à Inglaterra pelas ilhas cá chamadas de Malvinas e lá chamadas de Falklands.

Essa guerra foi muito louca. Ideia do General Galtieri, presidente durante a ditadura militar da argentina, quem mandou vários soldados jovenzinhos e completamente mal preparados – eles passavam fome e frio – para lutar contra o über arsenal inglês.

Continua sendo uma ferida aberta e pode receber o adjetivo “louca” porque esta guerra matou mais combatentes depois dela do que durante a batalha. Foi tudo tão traumático que muitos soldados se suicidaram quando já haviam voltado do front.

Há cinco anos eu escrevi uma matéria sobre o tema para a Revista Grandes Guerras com o amigo jornalista Leo Nishihata. Nesta oportunidade eu pude entrevistar alguns ex-soldados e entender, um pouco mais, sobre esta chaga tatuada no peito dos argentinos.

Mas o que eu queria contar pra vocês é sobre um projeto super bacana em torno do evento que Nishihata e eu titulamos de “A desastrada aventura dos hermanos”. Se trata do Malvinas30, um documentário interativo que vai narrar os acontecimentos da guerra, durante quatro meses, tal qual aconteceram em 1982.

Funciona assim: um grupo de três jornalistas, de forma totalmente independente, fizeram um mergulho nos arquivos locais e levantaram um grande número de material – matérias de jornal e vídeos – daquela época. Online há mais ou menos um mês, eles disponibilizam todo esse material no Twitter no dia e hora em que o fato aconteceu.

Por exemplo, neste mesmo dia e nesta mesma tarde, em 1982, o General Galtieri apareceu no balcão da Casa Rosada para, sem consultar as Forças Armadas e – dizem as más línguas – bêbado, decretar a guerra.

E nesse mesmo dia e nessa mesma tarde o Malvinas30 publicou o vídeo, por streaming, nas redes sociais. Quer dizer, é uma espécie de máquina do tempo virtual que propõe uma aproximação não tradicional a um dos momentos mais controversos da história argentina recente.

O projeto criado por Alvaro Liuzzi, Guadalupe López e Ezequiel Apesteguía também inclui um personagem de ficção, o Soldado M30. Através do Twitter, o jovem combatente fala sobre os jogos de futebol daquela época, dos shows e também da agonia por ele vivida naquela época.

Malvinas30 é um convite para reviver e/ou viver o passado e para pensar no presente. E também é uma excelente ideia de como usar as redes sociais e as ferramentas digitais com as quais contamos hoje em dia como suporte para um projeto histórico ;-)

Ah, pra ilustrar o post eu usei uma ilustração do cartunista Liniers – que vocês sabem que eu amo. Não sou argentina mas pelo o pouco que eu leio, vejo e escuto, ele fez um excelente resumo ilustrado do que foi a guerra.