
Vozes do Brasil 2, livro da jornalista Patrícia Palumbo, é recheado de fotos e boas idéias, principalmente de mulheres. Estão lá Adriana Calcanhoto, Elba Ramalho, Fernanda Takai e não mais que dois homens – Nando Reis e Tom Zé. Eles são conduzidos a falar livremente, como se estivessem cantando para uma multidão, sobre suas lembranças, interesses musicais e o que mais a sabida jornalista de música Patrícia Palumbo perguntar. Há quase dez anos, ela conduz o programa Vozes do Brasil, na rádio Eldorado, e por isso reuniu dois volumes de papos pra lá de bons. Abaixo, uma degustação do livro recém-lançado:
Fernanda Abreu
“Quero abrir um pouco mais esse arquivo do funk na sua vida. Quando foi que esse som veio até você? Ou você estava indo lá fora buscá-lo?
O Herbert [Vianna] me apresentou o Hermano, irmão dele, que estava fazendo uma monografia sobre o funk carioca . Ele me levou a um baile do Mourisco, onde o DJ Marlboro estava tocando, e adorei. Fiquei completamente amiga do Marlboro, ia a todos os bailes com ele; (…) eu ia lá dançar, não ia fazer pesquisa, ia me divertir. O Marlboro e o Memê são DJ clássicos do Rio de Janeiro. (…) O Memê já me mostrou muitos discos legais. Quanto ao Marlboro, até hoje, um fim de semana por mês entro no carro dele e fico dando voltas por esses bailes e curtindo as novidades.”
Rita Lee
“Quando você teve vontade de cantar e mexer com música?
(…) Na época do ginásio, eu era bem metida. Era péssima aluna e ficava reunindo bad girls para fazer coisas comigo. Mas eu era muito boa atleta. Ganhava medalhas pela escola e ganhei um pouco de destaque por isso, chamando alguma atenção. Sempre tentei construir uma personalidade que escondesse um pouco da minha burrice, a minha feiúra. Então, comecei a ficar amiga das bad girls. Fiz grande amizade com duas delas – uma suíça chamada Beatrice e uma inglesa chamada Jane. A gente formou um trio: armava um vocalzinho e arranhava um violão, uma aqui e outra ali, tudo mal e porcamente. Foi aí que comecei.”
Mônica Salmaso
“Por conta das músicas que escolhe para cantar, fica às vezes a impressão de que você teve uma vivência de interior. De onde vem esse interesse?
É quase turístico mesmo. Só não é porque tenho certo fascínio por uma emoção religiosa que, embora eu não tenha sido criada nela, reconheço como brasileira. (…) Eu não sou dessa cultura, nunca morei em cidade pequena, nunca fiz procissão, mal sou católica, não sou nem religiosa, nada disso. Mas, ao mesmo tempo, eu vejo de fora e reconheço como meu. É poético isto que o Brasil tem em relação à religião e às pequenas coisas, à convivência pequenininha. Esse interesse me aproximou um pouco de um Brasil que reconheço, mas que não sou.”
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