por Juliana Menz
Tpm #109

Que tal usar ”copinhos” para conter o fluxo menstrual?

 

Os absorventes descartáveis podem estar com os dias contados. O coletor menstrual chega como uma alternativa para "aqueles dias" e tem ganhado cada vez mais adeptas. Em formato de copo, ele retém o fluxo menstrual e é reutilizável. A paulistana Daile Minders, 29 anos, representante brasileira da marca tcheca Lady Cup, conheceu o método no ano passado e se empenhou para trazer a novidade ao país. "Apesar do apelo 'ecofriendly', foi o conforto que fez eu me interessar pelos coletores. Descobri 16 marcas e a maioria é europeia”, conta Daile, que não entende a rejeição das brasileiras pelo produto. "Pergunto às mulheres: 'Vocês preferem andar com uma fralda no meio das pernas?'", diverte-se.

A gerente de projetos Renata, 39, que usa o coletor da marca inglesa Moon Cup há seis anos, concorda com Daile. "Nos Estados Unidos e na Europa as mulheres adoram. Divulguei para as minhas amigas, mas nenhuma quis testar", lembra Renata.

Ecológica, eu?
Mesmo as mulheres que não se importam com o tempo que leva para os absorventes descartáveis sumirem do planeta – cem anos – têm encontrado vantagem na novidade. A assistente de produção Maria Clara Villas, 20, confessa que a questão ambiental não foi o principal motivo para experimentar o coletor reutilizável. "Usava absorvente comum porque me sentia melecada com o interno. O coletor é mais higiênico e só preciso colocar de manhã e tirar à noite, no banho", comemora ela. Para a vendedora Nathalia Vicari, 23, não é simples assim: "Costumo esvaziar o 'copinho' de três a quatro vezes ao dia. Derramo no vaso sanitário e lavo na pia", diz a vendedora. "As mulheres têm muitos tabus em relação a seu corpo. Menstruar é algo natural", completa Nathalia.

Com uma levada mais consciente, a estudante Dora Selda, 20, se orgulha de dizer que, além do coletor, aderiu a outro método para colaborar com o meio ambiente. "Uso o coletor de dia e, à noite, o 'paninho', aquele método usado pelas avós", conta Dora, que herdou o hábito da mãe.

Ecológicas ou não, todas as adeptas da novidade contam que no começo foi difícil se acostumar com o coletor, pois ele fica mais abaixo que o absorvente interno. Mas, se colocado corretamente, elas garantem que não incomoda nem vaza. Para retirar tem um jeitinho. "Precisa empurrar um pouco antes de puxar, por causa da pressão", ensina Dora. Tendo capacidade para 30 mililitros, a ginecologista Natália Zekhry confirma que o uso do coletor pode ser de até 12 horas (como atestam os fabricantes), mas não recomenda. "O ciclo inteiro da mulher é de 50 a 100 mililitros, pela quantidade não teria problema, mas fazer a troca a cada seis ou oito horas é o ideal", aconselha.

A marca inglesa Moon Cup é a mais antiga, existe desde 2002, e a mais conhecida entre as mulheres. A Miss Cup é a primeira brasileira, produzida desde o fim do ano passado. Feito de silicone cirúrgico em dois tamanhos (4 e 4,5 centímetros), ele costuma durar de cinco a dez anos e custa em média R$ 85.


Vai lá:
Lady Cup – www.ladycupbrasil.com.br; Miss Cup – www.misscup.com.br; Moon Cup – www.mooncup.co.uk

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