por Carol Ito
Tpm #173

”Só preciso respeitar o ritmo de cada história, viver e olhar com atenção para a vida”, explica a artista Grazi Fonseca, sobre suas criações

Grazi Fonseca revela seus pensamentos de forma silenciosa, com traços precisos e delicados. A artista gaúcha se dedica aos quadrinhos experimentais numa pegada autobiográfica, mas não se prende a rótulos. Prefere observar o processo ao resultado, de forma livre. “É lindo fazer um quadro e, com paciência, deixar ele te conduzir. Só preciso respeitar o ritmo de cada história, viver e olhar com atenção para a vida”, explica.

Grazi publica fanzines desde 2016, de forma independente, e os vende em feiras de artes gráficas. Junto com alguns amigos, organiza a A6 feira gráfica, em Porto Alegre, com seis edições por ano.

Ela revela que começou a desenhar na adolescência, copiando revistas de mangá. Já na fase adulta, aprendeu, em um curso de histórias em quadrinhos, que um bom desenhista deve ter a técnica perfeita. “Isso me frustrou muito, eu estava no lugar errado”, conta. Alguns anos depois, ela resgatou a vontade de ilustrar e chegou à conclusão: ”Eu não precisava do desenho perfeito pra falar da minha vida nada perfeita”.

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Desenhar, para boa parte dos artistas, funciona como uma terapia e, para Grazi, não é diferente. “Além de ser uma forma de expressão, as publicações estão me ensinando muito a me conhecer, aceitar o ‘errado’e não ter medo de experimentar”, explica ela. Esses experimentos resultam em uma arte minimalista e rica em simbolismos, que pode ser vista em seu site e também no Instagram.

No momento, trabalha no roteiro de uma graphic novel sobre o último dia de vida de sua mãe, que faleceu em 2012. Para ela, é na atitude de superação da perda que se revela o poder do feminino: “É levar um tombo grande e levantar, seguir, tentar fazer algo bonito com isso”. Grazi ilustrou as colunas de Maria Ribeiro e Milly Lacombe, na edição de dezembro/janeiro da TPM.

Créditos

Imagem principal: Grazi Fonseca / Reprodução

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