Giovanna Ewbank fala sobre gravidez, Covid-19 e The Circle

por Nathalia Zaccaro

Grávida em meio à pandemia global, ela comanda o primeiro reality show brasileiro da Netflix e diz: ”Vou evitar ao máximo que meus filhos usem redes sociais”

Poucas coisas estão claras sobre como serão as próximas semanas (ou meses) durante a crise mundial do Covid-19, mas já deu pra sacar que a internet será um refúgio. Com a população reclusa, longe das ruas, o tráfego digital de países profundamente afetados pelo vírus cresceu, em média, 25%. O Brasil, que já é conhecido por seus altos índices de consumo de internet (atualmente, somos os vice-campeões no uso das redes sociais, registrando 225 minutos por dia, por pessoa, segundo dados da empresa de pesquisa GlobalWebIndex) deve viver tempos ainda mais conectados às redes. 

Narrado por Giovanna Ewbank, o reality show The Circle, nova aposta da Netflix no Brasil, mergulha nesse universo. No programa —  que estreou este mês e tem incrível semelhança com a realidade que muita gente está encarando ao redor do mundo —, nove participantes vivem confinados em diferentes apartamentos de um mesmo prédio em Manchester, na Inglaterra, e só interagem através de uma rede social. Eles podem mentir ou falar a verdade sobre suas personalidades e vence quem for mais popular. "O The Circle é um retrato real do que a gente vive [na internet] e é interessante ver de fora. A gente percebe durante o programa que, às vezes, a pessoa tá falando alguma coisa em que ela não acredita, mas fala para agradar. Mostra muito esse limite", diz Giovanna, que passou uma longa temporada na cidade inglesa durante as gravações do programa.

Com mais de 21 milhões de seguidores só no Instagram, ela precisou aprender na marra a estabelecer limites em sua própria vida. "Era muito perturbador. Hoje, eu posto quando tenho algo de conteúdo. Quando a gente não tem o que dizer, não precisa dizer nada. Isso não pode ser uma pressão, especialmente nos adolescentes e crianças." Aos 33 anos, mãe de dois (Titi, de 6 anos, e Bless, de 5) e grávida do terceiro, ela se preocupa com a exposição deles às redes. "Eu vou evitar ao máximo possível que meus filhos usem redes sociais. Ficar sempre vendo o que as outras pessoas estão fazendo faz a gente estar sempre querendo estar onde o outro está e isso gera ansiedade", diz.

Foi logo após as gravações de The Circle que Giovanna descobriu sua inesperada gravidez. "Não era uma coisa que passava pela minha cabeça. Estamos agora entendendo juntos como vai ser tudo. Eu já sou mãe, sei o que é. Ser mãe é um medo constante, é se culpar o tempo todo." Como Titi e Bless foram adotados no Maláui, na África, esta é a primeira experiência de Giovanna como gestante. "E um dos medos em relação ao bebê que está na minha barriga é que ele já vai nascer privilegiado. Não sei ainda como a gente vai lidar com isso entre as crianças. Vai ser um aprendizado diário e dolorido. Aprender e lutar todos os dias."

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Trocamos uma ideia com ela sobre redes sociais, Netflix, maternidade e coronavírus:

Tpm. Por que embarcou nesse projeto? O que te interessou?
Giovanna Ewbank. Estou bem feliz com a estreia! É o primeiro reality show da Netflix do Brasil e eu adoro reality! Inclusive, tô super assistindo o BBB. Mas esse é um formato totalmente diferente dos outros já lançados, as pessoas não têm um contato pessoal, só através das redes sociais. O que mais me encantou no projeto foi ele ser diferente do que a gente vê por aí. É muito atual. As redes sociais tomaram conta do mundo. Quando me apresentaram o projeto, fiquei bem empolgada. Assisti à versão inglesa e amei, fiquei apaixonada pelo formato. Tinha certeza que no Brasil ia ser muito bem aceito, já que as redes são tão fortes aqui.

Foi muito diferente de outros trabalhos que você já tinha feito? No The Circle eu não tenho contato com os participantes. Quando apresento um programa ou faço uma entrevista, o olho no olho é o principal. Mas nesse reality é diferente. Fiquei assistindo de fora tudo o que acontecia, 20 dias acompanhando pelas câmeras e narrando o que estava acontecendo. Quando a gente assiste a um reality, se apega a alguns participantes, e eu também me apeguei a alguns, mas não posso falar quem são. Quando ia narrar, tinha que ser imparcial. Foi um desafio completamente diferente de tudo o que já fiz. Gostei muito.

O programa te fez refletir sobre como usa suas redes sociais? Acho que o programa reflete totalmente a nossa vida nas redes sociais. Elas são hoje uma ferramenta de trabalho e todo mundo busca popularidade, seja para divulgar um produto ou a si próprio. O The Circle é um retrato real do que a gente vive [na internet] e é interessante ver de fora. A gente percebe durante o programa que, às vezes, a pessoa tá falando alguma coisa em que ela não acredita, mas fala para agradar. Mostra muito esse limite.

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Você acha que lida bem com esse limite na sua vida? Eu consegui ter meu equilíbrio nas redes sociais há algum tempo. Elas foram jogadas nas nossas mãos sem manual e fomos aprendendo o que era certo ou errado mexendo. Hoje, vejo as minhas redes como uma forma de trabalho e sei dividir bem o que é para viver off-line e o que é para compartilhar on-line. Eu tenho esse equilíbrio.

E como encontrou esse equilíbrio? Eu sinto uma pressão porque se fico três dias sem postar, todo mundo começa a me mandar mensagem perguntando se eu estou bem. Antes, era uma coisa de ter que postar sempre, mas agora não tenho mais isso. Quando a gente começa a trabalhar nas redes sociais e ganhar dinheiro com elas, a se sente obrigado a dar conteúdo o tempo todo. Mas eu consegui me livrar disso.

Era perturbador? Era muito perturbador. Hoje, eu posto quando tenho algo de conteúdo. Quando a gente não tem o que dizer, não precisa dizer nada. Isso não pode ser uma pressão, especialmente nos adolescentes e crianças. Tem muita reunião nas escolas falando sobre a ansiedade das crianças e as doenças psicológicas por conta das redes sociais. Vou evitar ao máximo que meus filhos usem as redes, até onde eu conseguir. Ficar sempre vendo o que as outras pessoas estão fazendo faz a gente estar sempre querendo estar onde o outro está e isso gera ansiedade. Por isso fiz o movimento de ficar mais longe das redes sociais. 

Você tem medo de ser cancelada nas redes sociais? Tomo cuidado com o que é dito, mas não tenho medo de me posicionar. Faço isso até demais, porque acho que não se posicionar é se posicionar também. Acredito na informação e no aprendizado, e não no cancelamento. Todos temos direito de aprender, mas eu nunca falo sobre algum assunto quando eu não li sobre, procuro me informar para dar minha opinião.

Você descobriu a gravidez durante as gravações do programa? Como se sentiu? Foi uma grande surpresa. A gente não estava programando nem querendo. Durante as gravações em Manchester, me senti enjoada e com muito sono, mas achei que era por conta do fuso horário, da comida e porque estava trabalhando muito. Mas, depois de 20 dias, voltei para o Brasil e continuei com os sintomas. Aí, fiz o teste e deu positivo. Veio o medo e o pânico. Foram muitas questões, tive que me preparar psicologicamente e fisicamente. Estou ficando muito em casa, no Rio de Janeiro. Diminui o ritmo de trabalho e tô me reconhecendo, está sendo um momento gostoso em família. Todo mundo entendendo esse contexto novo.

Não pensavam em um terceiro filho, nem mais pra frente? Na verdade, eu nunca tive desejo de ser mãe. Eu falo sobre isso no meu Ted. Eu guardava muito isso pra mim e foi libertador falar. Quem me despertou para a maternidade foi a minha filha, em uma viagem de trabalho. Me apaixonei por ela e senti algo que nunca tinha sentido antes. Entendi que ela era minha filha e que eu não podia sair dali sem ela [Giovanna conheceu Titi durante uma viagem que fez a convite do Domingão do Faustão a um abrigo de órfãos em Lilongwe, capital do Malawi, em 2015. Em maio de 2016, depois de todos os trâmites legais, Titi já estava vivendo no Rio de Janeiro com Bruno e Giovanna]. A partir da Titi, comecei a pensar em ter mais filhos. O Bless veio da decisão de dar um irmão pra ela e era importante pra gente que ele fosse também do Malauí, como ela. É um país que a gente ama, temos amigos lá, vamos várias vezes por ano e temos trabalhos sociais lá. A gente estava bem com isso até que veio a surpresa da gravidez, que não era uma coisa que passava pela minha cabeça. Estamos agora entendendo juntos como vai ser tudo. Eu já sou mãe, sei o que é. Ser mãe é um medo constante, é se culpar o tempo todo. Ter mais um filho gera mais preocupação.

O que mudou no seu entendimento sobre racismo depois da maternidade? Foi através da Titi que eu abri minha cabeça e meu olhar. Eu não tinha ideia do que era o racismo. Eu saí da bolha em que vivia e todos os dias busco leituras e informação, tento correr atrás do tempo perdido. Foi uma mudança geral. E um dos medos em relação ao bebê que está na minha barriga é que ele já vai nascer privilegiado. Não sei ainda como a gente vai lidar com isso entre as crianças. Vai ser um aprendizado diário e dolorido. Aprender e lutar todos os dias.

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E toda essa crise do coronavírus? Como te impactou? Está enlouquecendo um pouco a gente. Estou lendo sobre tudo. A gente não pode gerar pânico, mas precisamos fazer o que tem que ser feito. Estou bem apreensiva porque para grávidas o é risco maior. Eu estou ficando em casa. A gente tem que se proteger, higienizar as mãos e não criar pânico. Ficar calmo e tomar as providências. 

Netflix é uma das providências? A gente vai maratonar, já estamos pensando em quais séries vamos assistir. Vai ser mesmo um momento de reclusão.

Créditos

Imagem principal: arquivo pessoal

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