Gilberto online Gil

Tpm

por Redação
Tpm #68

De férias do Ministério da Cultura, Gilberto Gil pegou a guitarra, juntou os amigos ­ e o filho Bem – e partiu para o Velho Mundo com a turnê Banda Larga. Foram 16 shows na Europa e um no Marrocos. Aproveitou a viagem de volta, aportou no Circ

Por Nara Bianconi

Aos 65 anos Gil ainda é um menino. Em cima do palco, o cantor, poeta, ministro e livre-pensador também dança e representa o tempo inteiro. Faz um show completo para uma platéia morna que demora a embalar. Ele não desiste e insiste o tempo inteiro pedindo palmas. Elas vêm aos poucos e só explodem de vez quando ele entoa uma nova canção. Ninguém mais se agüenta sentado, e o público segue da metade do show em diante em pé, com o suor necessário que suas canções exigem.

A voz do baiano já demonstra alguns sinais leves de cansaço, mas os gritinhos agudos ainda são marca registrada. No repertório, além de composições próprias com novos arranjos, releituras de Cartola, Zé Ketti, Jackson do Bandeiro, Dorival Caymmi e Beatles. Algumas músicas inéditas também são apresentadas. Uma delas, “Não Tenho Medo da Morte”, brinca sobre a diferença entre morrer e a morte propriamente dita. Com letra cheia de humor, cativou a platéia, que fez questão de aplaudir em pé.

O show mesclou música e prosa. Gilberto Gil discursou bastante entre as canções, apresentando algumas, dando créditos aos autores de outras, homenageando os filhos, contando causos e, principalmente, fazendo apologia ao uso dos novos recursos tecnológicos – tema, aliás,recorrente em toda sua carreira. Dos tempos da tropicália, com “Cérebro Eletrônico” e “Futurível” (1969), passando por “Cibernética” (1974), “Parabolicamará” (1991), e desembocando no álbum duplo Quanta (1997), Gil tem ainda, no currículo, “Pela Internet” (1996) – primeira música brasileira a ser oficialmente lançada pela internet.

A turnê Banda Larga – que sucede a turnê Eletracústico – teve formato inovador. Em tempos de reality shows e transmissões online, Gil abusou das possibilidades internéticas e disponibilizou em seu site – www.gilbertogil.com.br – fotos, vídeos e MP3 de todos os shows – muitos deles produzidos e enviados pelos fãs que estiveram presentes nos espetáculos. Toda a turnê foi transmitida ao vivo pelo site. Para completar, Banda Larga está no universo paralelo do Second Life e ganhou um blog.

Para o músico, essa experiência foi uma forma de refletir, a partir das artes, sobre uma mudança no pensamento e nas relações humanas gerada por processos como a convergência digital. Ele fez questão de deixar claro que toda essa revolução veio para agregar e não podemos fugir disso, mas fazer proveito.

Gilberto Gil conseguiu se reinventar mais uma vez. Definitivamente não cai em desuso jamais. Ao contrário, sempre lança moda. Cria e recria enquanto a maioria resiste e desacredita. Segue profetizando suas verdades em todas as oportunidades: escrevendo, compondo, cantando e discursando. Não envelhece jamais e ainda faz graça no palco sambando miudinho. Quase uma afronta! Despede-se da Banda Larga hoje e deixa para nós a expectativa de mais um trabalho inédito: seu novo CD, que estará nas lojas no comecinho de 2008.
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