por Redação
Tpm #159

O mais amado site de venda de roupas usadas na internet, o Enjoei, estimula a compra de produtos de segunda mão e, mesmo tempo, alimenta o monstrinho do consumo


Na sala graciosamente decorada nas redondezas do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, o sofá, a mesa de canto e alguns enfeites foram comprados no Enjoei. Nas mesas dos 80 funcionários, relíquias como o carro dos Ursinhos Carinhosos mostram que, ali, santo de casa faz milagre. Ana Luiza McLaren e o marido, Tiê Lima, os fundadores, falam com paixão de sua cria: levam trabalho para casa e a casa para o trabalho.

Ana adora o fato de que tem gente vivendo de vender coisas no Enjoei: “Algumas pessoas tiram R$ 12 mil em um único mês”, revela. “Antes, as pessoas tinham que descarregar as fotos no computador, imprimir o boleto, esperar um e-mail de confirmação do comprador”, lembra. Hoje, não é exagero dizer que dá para fazer tudo isso pelo celular: em 2015, 65% do total de transações foi feito assim.

O Enjoei soma 200 mil lojinhas e um faturamento que passou de R$ 30 milhões em 2014 para R$ 80 milhões neste ano. Então vocês estão ricos? “Não. Somos assalariados aqui”, responde Ana. “Estamos no começo, pretendemos ir bem mais longe”, projeta Tiê.

Uma das coisas que anima o casal é a desmistificação da venda de objetos pessoais, um hábito comum em outras culturas adeptas do garage sale mas que aqui nunca pegou. “Eu vendia roupas que não queria mais no banheiro do trabalho. Muita gente olhava feio. O Enjoei veio para mudar isso”, diz Ana.

A gente adora o Enjoei porque pode passar pra frente o que está parado no fundo do armário; a gente adora o Enjoei porque pode encontrar peças incríveis por preços mais acessíveis. Mas afinal, eles promovem o desapego ou alimentam nosso consumismo? “O Enjoei inspira uma consciência, mas tem gente que gasta demais. Uma pessoa já comprou R$ 120 mil. Ou está revendendo ou é doente”, pondera Ana. Se sentem parte da economia colaborativa? “Não levantamos essa bandeira; você não vê nenhuma comunicação nossa nesse sentido. Trabalhamos com venda de roupas e objetos e achamos que consumir é parte do comportamento humano”, diz Tiê.

Parece ambíguo? De fato é. Com a palavra, Rafaela Cappai, especialista em negócios criativos: “A essência do Enjoei está na economia colaborativa, mas o posicionamento deles os afasta dessa vocação”. Um exemplo é o e-mail “a saudade está doendo”: você ganha um desconto a cada mês que fica sem comprar. Quem aguenta?

Vai lá: enjoei.com.br

 

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