Tpm

por Tania Menai

Na virada do século passado, maquiagem era coisa de atrizes, prostitutas e só. A classe média torcia o nariz para batom, base e rímel. Mas isso não intimidou uma polonesa judia, que nasceu na Krakóvia em 1872, de uma família de oito filhos.Seu nome era Helena. Seu sobrenome, Rubinstein. E por sete décadas, ela trabalhou incansavelmente até falecer aos 92 anos, em 1965.  Sim, aos 92 ela ainda estava na labuta, fazendo as reuniões da manhã, de camisola na cama, rodeada por sua equipe de engravatados. Helena começou a carreira na Austrália, onde tinha família, abrindo uma pequena loja em Melbourne onde vendia um creme para pele cuja receita ela trouxe de um médico polonês. Ela viveu justamente na época em que as mulheres colocaram os pés no mercado de trabalho, e passaram a ter dinheiro próprio para gastar. A combinação não poderia ser melhor: o império Helena Rubinstein expandiu-se por quatro continentes (ela tinha até um salão no Rio de Janeiro), e a menina baixinha da Polônia se tornou não só na primeira mulher empreendedora a levar o titulo de magnata, mas também um símbolo no mundo da beleza, arte, da moda e da filantropia.

Colecionadora de arte, parte de sua história é contada na bela exposição “Helena Rubinstein: Beauty is Power”, em cartaz no Jewish Museum de Nova York. Grande parte da mostra é dedicada `a coleção de obras que incluem máscaras e esculturas africanas, salas famosas em miniatura além de pinturas de Pablo Picasso, Andy Warhol, Amadeo Modigliani, Frida Khalo, Pierre Léger, e até Cândido Portinari, entre os portraits de Helena, uma obsessão da empresária. Cidadã do mundo, com residência em Paris, Londres e Nova York, uma das histórias contadas é sobre o triplex que ela queria alugar em 1941 (durante a guerra - inclusive, uma de suas irmãs, faleceu no Holocausto), no exuberante prédio 625 da Park Avenue. Ela foi recusada, pois na época judeus eram proibidos de morar em tal edifício. Novamente, Helena não se intimidou: comprou o prédio inteiro. Gostei.

ps -para as mocinhas que esperam comprar creminhos na loja do museu, não. Não é nada disso. Trata-se de uma exposição de arte. : )

 

 

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