por Ana Manfrinatto

Vontade não faltou de fazer um discurso, gente!

A Casa Rosada todo mundo conhece: é cartão postal argentino, lugar onde trabalha o presidente – neste caso, presidenta – e fica na Plaza de Mayo. Esta, por sua vez, foi e continua sendo palco das principais manifestações populares do país.

Sempre que eu passo pela praça estou quase atrasada e caminhanho rápido. Desvio dos turistas e das pombas com pressa mas não esqueço de estar pisando um lugar histórico.

Penso em tudo o que eu já vi em vídeo, como os discursos de Perón e Evita, nas Madres e Abuelas da Plaza de Mayo protestando pela aparição de seus filhos e netos desaparecidos durante a ditadura militar e no panelaço durante a crise de 2001.

Também lembro de coisas que eu já vi, como um discurso do então presidente Nestor Kircher em 2006 e, no ano passado, a comoção durante o velório do mesmo. Também de um show da banda porto-riquenha Calle 13 honrando a memória do sindicalista Mariano Ferreyra.

Isso tudo me salta aos olhos porque no Brasil nós não estamos acostumados a ver tantas manifestações populares. E também porque Brasília está fincada no meio do cerrado e não dá para chegar na porta do Palácio do Planalto de metrô.

Enfim, tudo isso pra dizer que este sábado, flanando pelo centro, vi uma movimentação diferente na porta da Casa Rosada e entrei. Descobri que nos finais de semana eles abrem a porta para o público.

Eu já havia entrado lá do mesmo jeito, por acidente, em 2009. Também no ano passado quando acordei às 4 da manhã para ir ao velório de Nestor Kirchner. Mas desta vez foi bem bacana porque as visitas guiadas, feitas por estudantes de história, duram uma hora e dão conta da arquitetura do lugar e, consequentemente, um pouco de história e política.

Achei incrível ter entrado no gabinete da Cristina Kirchner e, aqui, cabe uma fofoca: tanto no gabinete como nas salinhas anexas ao mesmo a presidenta colocou difusores de essência de baunilha. Porque hay que endurecerse pero sin perder la ternura jamás!

Mas o que foi realmente mágico foi ter ido ao balcón (varanda) da Casa Rosada. Não cantei Don’t cry for me Argentina mas pensei na Evita discursando para os seus descamisados, no general Galtieri completamente bêbado decretando guerra contra a Inglaterra pelas ilhas Malvinas e também no Maradona com a taça do mundo na mão.

Ou seja: tá super recomendado o passeio!
No site da Presidencia de la Nación estão os dias e horários para quem quiser ir lá. ;-)

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