por Juliana Sampaio
Tpm #112

Brinquedo de menina continua sendo feito de uma cor só e ninguém se preocupa

 

 

"Brinquedo de menina" continua sendo feito de uma cor só, e são poucas as mães que veem as condições femininas representadas por trás dessas fofuras

Se você é mãe de uma criança do sexo feminino, já deve ter percebido o fenômeno: o universo das meninas está cada dia mais monocromático. É tudo rosa.

Começa ainda no enxoval do bebê, mas atinge o auge entre 3 e 7 ou 8 anos: nessa idade, que é quando as crianças vão tomando consciência da sua identidade de gênero, tudo o que é oferecido às meninas é cor-de-rosa.

Basta entrar numa loja de roupas infantis ou de brinquedos pra saber quais são os produtos pensados para essas pequenas consumidoras: de longe você vai ver aquela prateleira lá, de uma cor só.

A prateleira dos meninos é mais colorida: além do azul, tem vermelho, amarelo, verde, preto.

Só não tem nada que seja rosa, porque essa cor virou uma espécie de "estrela amarela" do sexo feminino – aquela estrela que os judeus eram obrigados a ostentar na Alemanha nazista para sinalizar a sua condição.

E que condição feminina é essa que vem sinalizada de rosa? Quase a totalidade dos brinquedos que se identificam pela cor como sendo "brinquedos de meninas" tem a ver com o cuidar da casa, cuidar das crianças ou estar sempre linda.

Desafio: tente encontrar um robô cor-de-rosa, uma nave espacial cor-de-rosa, um jogo de ferramentas ou kit de montar cor-de-rosa. Quase nada ligado a descoberta científica, meios de transporte, aventura, empreendedorismo ou construção vem nessa cor.

Bom, todo mundo sabe que a brincadeira é a linguagem das crianças, é como elas vão encontrando seu lugar no mundo, experimentando seus papéis, descobrindo como funciona o mundo adulto e suas regras.

O que pouca gente percebe é quais regras são essas que estamos camuflando de rosa para nossas meninas.

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