Logo Trip

Como ter tudo (e ficar louca)

Como ter tudo (e ficar louca)

em 19 de setembro de 2007

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

Editora de revistas americanas lança livro em que ensina mulheres a terem tudo ao mesmo tempo agora: filhos, marido e uma carreira de sucesso. Isso, claro, abrindo mão de coisas bacanas e essenciais como licença-maternidade, educação no ambiente de trabalho e fofura

A gente faz análise, ioga, estuda filo­so­fia só para isso: aceitar que a gente não pode (nem precisa) fazer tudo na vida. E que o mundo não é um jogo de War, onde ganha quem conquistar mais territórios. Aí aparece uma mulher e escreve um livro chamado Tudo e mais um Pouco. Subtítulo: Consiga o melhor da vida: a melhor carreira, o melhor namorado e tudo o que vo­cê sempre quis.

 

A autora é uma norte-americana, executiva de sucesso que já foi editora poderosa de várias revistas, entre elas a Cosmo­po­li­tan, a mãe dos títulos especializados em dar dicas de “como segurar aquele ho­mem”. Na contracapa, explicita-se que, além do sucesso profissional, ela também é casada (15 pontos na ba­talha de War) e conseguiu ter quatro filhos (mais 15 pontos no jogo). Além disso, conquistou muitos territórios em sua carreira.

Atualmente, Bonnie Fuller é responsável por revistas de fofocas como Star e Us Weekly. Ou seja, é uma “vencedora”, no sentido mais conservador do termo.

Para “chegar lá”, a executiva sugere várias coisas descabidas, como, por exemplo, abrir mão da licença-maternidade. Ela conta, com orgulho, que, assim que chega da maternidade, se joga no trabalho (nas 2 SEMANAS em que fica em casa). E que, em um dos seus partos, esperou o nascimento do bebê editando textos da revista.

Outra dica sobre ser mãe e trabalhar que nos apavora é uma em que a autora da aberração ensina como nunca ser uma grávida que é vista “suando no trabalho”: “Pode ser que você esteja enjoada, cansada ou faminta, mas não diga nada disso para o seu chefe. Nunca reclame. Nunca deixe transparecer em nenhum aspecto que você está se sentindo mal”.

 

Ela também aconselha que a gente trabalhe doente. E diz que tem fama de seca porque não tem tempo de ser muito simpática com as pessoas do trabalho (ainda bem que ela não trabalha aqui na Tpm!). Ah, e a moça é contra a psicanálise, porque acha que é perda de tempo ficar cutucando coisas do passado. Perda de tempo, para nós, é ler esse tipo de livro. E pensar que mulheres como essa estão espalhadas pelo mundo. Aproveitamos para demonstrar nossa solidariedade para com as moças que são vítimas, quer dizer, funcionárias, de uma pessoa como essa. Como ela não é a nossa chefe, graças a Deus, vamos queimar o livro agora mesmo. E repetir o mantra: “A vida não é um jogo de War, a vida não é um jogo de War…”.

 

Não vai lá: Tudo e mais um Pouco, de Bonnie Fuller, editora Planeta

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon