Comer fora em tempos de inflação
Inflação galopante muda o comportamento em restaurantes argentinos
Por Ana Manfrinatto
em 19 de julho de 2011
Não vou saber falar de taxas nem nada do estilo, mas que existe uma inflação galopante aqui em Buenos Aires, ô se existe! Outro dia eu paguei quatro pesos em UM pêssego e também já paguei dez pesos em uma garrafa de 1,5 litros de Coca-Cola.
Daí que a minha queridíssima revista Planeta Joy fez uma matéria sobre o impacto da inflação no comportamento das pessoas que frequentam restaurantes. Eles dizem que o preço do plano de saúde, do condomínio e da tevê a cabo sobem pelo elevador enquanto o do salário vai pela escada. O que é uma grande verdade.
E que, paradoxalmente, os restaurantes continuam trabalhando a todo vapor mesmo em tempos de inflação. A explicação dos empresários do ramo é que as pessoas não deixaram de sair para comer fora mas que, no entanto, o fazem de uma forma diferente: gastando com mais parcimônia.
É aí que entra o top five da revista com as tendências mais relevantes observadas nos restaurantes de Buenos Aires. E também a dica pra quem anda com o orçamento curto, quer economizar porque sim ou porque, como o meu tio Matraquinha, diz que o dinheiro é como pé de cobra. “Quem vê morre”!
Os descontos definem as saídas
Há dois anos, quem tirava um cupom de desconto da carteira corria o sério risco de ser chamado de pão-duro. Mas agora, se ele pegar um cartão de desconto do banco, ele é tido como um consumidor inteligente. Em tempos de inflação, as pessoas são muito mais permeáveis às promoções. Tanto é que antes de realizar uma compra, a pergunta é “com qual cartão eu tenho desconto?”. Segundo Jorge Ramallo da consultora Food Service Group, esta é uma regra que vale pra todo mundo exceto para o segmento mais alto da pirâmide.
Privilegia-se a segunda-feira como dia de comer fora
Porque este é o dia que os restaurantes oferecem os melhores descontos (que podem chegar a até 50%). Tanto é que é difícil encontrar mesa neste dia: às dez da noite tem gente fazendo fila na porta de bares e restaurantes.
Cada vez mais as pessoas levam o próprio vinho ao restaurante
Há alguns anos, era raríssimo que um restaurante tivesse serviço de descorche (tipo, cada pessoa leva sua própria garrafa de vinho e o estabelecimento cobra o valor do vinho mais barato do cardápio ou um preço fixo ao redor de 30 pesos). O descorche era um consolo para os bons bebedores em restaurantes com uma carta de vinhos meia-boca. Mas agora é mais uma boa opção para diminuir o valor final da conta. A tendência explica o aumento do número de restaurantes com descorche. Segundo a consultora Moebius Marketing, o número aumentou 27% e já atinge cerca de 650 estabelecimentos.
Prato para dividir
Uma das formas mais óbvias de diminuir o preço da conta é pedir um prato barato. No entanto, não é o que acontece nos restaurantes. Os pratos mais elaborados e sofisticados (que geralmente são os mais caros)continuam sendo os preferidos… mas agora são divididos! Empresários gastronômicos consultados disseram que os consumidores preferem gastar na bebida e ajustar os gastos na bebida: quem pedia um vinho de 150 pesos agora pede um de 60. A consequência deste fenômeno é que, cada vez mais, os restaurantes cobram um preço extra para quem divide os pratos.
As pessoas pedem para embrulhar o que sobrou
Antes, se sobrava comida no prato, o cliente deixava os restos, pagava a conta e ia embora. Mas agora os argentinos adotaram este costume de pedir para que o garçom embrulhe a sobra para levar para casa, uma modalidade conhecida nos Estados Unidos como “doggy bag” (sacolinha para o cachorro). Antigamente os garçons olhavam feio para quem fazia o pedido mas, agora, os restaurantes estão preparados e tem até bandejinhas de alumínio.
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