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Chá de cogumelo

Olha os surrealistas no samba aí, gente! A maioria das letras dos sambas-enredos não faz o menor sentido. Analisamos sambas hit dos Carnavais e... será que os autores tomam ácido? Leia as pérolas e nossas vãs tentativas de tradução

Chá de cogumelo

em 5 de fevereiro de 2007

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Olha os surrealistas no samba aí, gente! A maioria das letras dos sambas-enredos não faz o menor sentido. Analisamos sambas hit dos Carnavais e… será que os autores tomam ácido? Leia as pérolas e nossas vãs tentativas de tradução

“Bum, bum paticumbum prucurundum…” (Império Serrano, 1982) Isso não quer dizer nada. É uma onomatopéia (viu como sabemos falar difícil) que imita o som da percussão. Só que percussão não faz prucurundum! Pérola máxima de todos os tempos.

“E hoje o seu canto de fé, de fé vai buarqueando com muito axé” (Mangueira, 1998)
Imagine uma fé que “buarqueia com axé”? O verbo Buarquear é em homenagem ao Chico Buarque de Holanda e foi criado pela Mangueira. Achamos que quer dizer ser lindo e inteligente. Então, a letra quer dizer: “um canto de fé lindo e inteligente, que é discreto, mas tem muito axé”. Deu para entender?

“A minha alegria atravessou o mar e ancorou na passarela” (União da Ilha, 1982)
O clássico da União da Ilha é lindo. Agora, na boa. Como uma alegria pode atravessar o mar? Nadando? E desde quando alegria ancora?

“É jeje, é jeje, é querebentã.
A luz que vem de Daomé, reino de Dan.
Arte e cultura, Casa da Mina.
Quanta bravura, negra divina”
(Beija-Flor, 2007)
Tradução impossível. Não sabemos quem é Daomé nem onde é o reino de Dan. Talvez sejamos mesmo ignorantes. Cartas para a redação.

“Já se foi o bacalhau
Pelos mares da paixão (navegou)
Nessa história quando tudo começou…”
(Imperatriz Leopoldinense, 2007)
É isso mesmo. O enredo é sobre bacalhau. E parece que existe peixe que navega em mar de paixão. Será que é inspirado naquela música do Fagner que diz: “Quem dera ser um peixe para em teu límpido aquário mergulhar?”.

“Vou delirar com a beleza
Mergulhar no colo da Mãe Natureza
Reluz o show em formas sem fim
O homem e o poder da criação
Diga quem sou, sorria pra mim
No olhar da comunicação…”
(Unidos da Tijuca, 2007)
Este é um trecho de uma letra sobre fotografia. Então, vamos tentar entender. O que seria mergulhar no colo da mãe natureza? Se jogar no mar? Pular de uma cachoeira? E o que isso tem a ver com fotografia e com o show que reluz em formas sem fim? E o que seria o olhar da comunicação? A lente de um fotógrafo, isso a gente entendeu.

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