por Nataly Cabanas
Tpm #80

Entenda por que os europeus amam tanto Luiza Lovefoxxx

Uma jornalista brasileira foi conferir por que os europeus amam tanto Luiza Lovefoxxx, do Cansei de Ser Sexy – uma vocalista que saltita feito apresentadora infantil e dá cambalhotas de trás pra frente no palco

A chegada do verão na Espanha derrete uma porção de coisas. A tarifa da internet evapora. Por quê? “Es parte de la tarifa de verano, señora.” E aquele casaco felpudo que fez uma dieta de números e custa quatro vezes menos? “Son las rebajas de verano, señora.” Nos três meses em que o sol assa as cabeças em Barcelona até as nove da noite (no sul do país, ele vai até as dez), europeus ávidos por calor e decibéis começam a aterrissar com as companhias aéreas de baixo custo.

O Festival de Rock Summercase reveza quase uma centena de artistas durante dois dias na ponte aérea Madri–Barcelona. E foi em Barna que deixei de estar “off the hook”. E, às vésperas do lançamento do segundo disco da tal banda brasileira Cansei de Ser Sexy, Donkey, resolvi fazer esse acerto de contas. Na minha memória, o CSS, como é chamado pelos íntimos, estava congelado num frame como uma turma de amadores profissionais. E divertidos.



Show da Xuxa
Foi então que a vocalista Lovefoxxx surgiu saltitante, como uma apresentadora infantil, entre balões de festa. Pulou corda com o fio do microfone, subiu ao palco dando cambalhota (de trás pra frente!) e fez uma massa indie, que usa RayBans estilo Bob Dylan, imitar suas coreôs freaks. This is really fun. Australianos, suecos, espanhóis, escoceses e ingleses cantavam em uníssono: “Hey, hey, hey, hey, hey, do you wanna drink some alcohool...”.

Luísa Hanaê Matsushita, paulistana de 24 anos, a Lovefoxxx, tiene el duende. É o tipo de carisma que, no mundo do flamenco, define a magia que faz um sujeito ficar do lado de lá do alambrado, enquanto o resto assiste, suado, àquela bolinha que dança, canta ou não faz absolutamente nada. E o público se derrete. El duende. Lovefoxxx lo tiene.

No meio do show, ela então ritualiza uma mudança de figurino e ressurge com um collant branco. Nele, uma boca gigante estampada ri. Mas a grande piada estava impressa no programa do festival. O CSS aparecia na divisão “Otras Fronteras” e era descrito exatamente assim: “Primera parada, las favelas de Rio: a CSS les gusta la gasolina, el punk-carioca (sim, el “punk”, madre mia!) y el disco sobre ruedas”.

Sou eu que estou fora há muito tempo ou erraram o lado da via Dutra? Ou talvez seja o caso de acreditar que, no mundo do sujeito que rabiscou essa definição, os Sex Pistols, a grande atração do Summercase, possam, um dia, participar do novo CD do MC Serginho? God: save the Créu.

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