por Renata Leão
Tpm #102

A colunista Milly Lacombe lança Tudo é só isso, e Arthur Veríssimo lança Karma Pop

Tudo é só isso

 

Já parou pra pensar na frase acima? Já sacou como tudo, absolutamente tudo, é só isso? Simples assim, como os textos da colunista da Tpm e jornalista Milly Lacombe. Há nove anos, ela publica sua Coluna do Meio nesta revista. E seus textos, cheios de simplicidade, são capazes de emocionar a gente nos momentos e lugares mais improváveis. Quantas vezes eu, no meio do agito da redação, fiquei com os olhos marejados ao receber sua coluna? Sem falar das vezes em que fui às lágrimas despudoradamente. Grandes tratados da humanidade? Nada disso. Milly sabe dar poesia às coisas simples da vida. Consigo visualizá-la aos 8 anos de idade com seu pai no Jockey Club, ambos acompanhando os triunfos do Fluminense em um radinho de pilha; ou imaginar o dia que mudou sua vida, quando ela beijou sua primeira namorada. E ainda dar boas risadas (daquelas com um pouco de lágrimas, sabe?), ao lembrar de sua avó, que morreu de tanto comer bala Frumello com o plástico da embalagem. Sem falar em seus sobrinhos: conheço todos eles e sei o que cada um tem de mais especial. Por essas e outras, Milly Lacombe já virou marca registrada na revista. Muitas leitoras guardam aquela dupla de páginas para ler por último, assim como a gente faz com a parte do doce de que gosta mais. Neste livro, recém-chegado às livrarias, ela reúne as melhores colunas da Tpm. Pra rir, chorar e, principalmente, lembrar que tudo é só isso.

Vai lá: Tudo É só Isso, de Milly Lacombe, ed. Benvira, R$ 29,90

Karma pop

Arthur Veríssimo e Índia, Índia e Arthur Veríssimo. A pessoa, o país. Tudo misturado. A Índia vive em Arthur. E Arthur vive na Índia. Da boca dele, você nunca vai ouvir os lugares-comuns com os que os seres comuns costumam se referir ao país. Nunca ouvi Arthur falar de pobreza, mas de riqueza. Nunca o ouvi reclamar do caos, e sim exaltá-lo. A comida apimentada? Ele ama seus gostos, cheiros, texturas. Mais que tudo isso, Arthur ama seu povo. Se entrega, se solta e se diverte com ele. E eu, que nunca estive na Índia, aprendi com ele que, para curtir o país, você precisa deixar de lado conceitos e preconceitos. Em 2005, tive o prazer de ajudar o repórter excepcional da Trip a organizar suas grandes reportagens em um livro. Agora, cinco anos depois, sai do forno pela Master Books o Karma Pop. Com direção de arte de Richard Kovaks e curadoria de Rui Mendes, o livro é tão intenso quanto seu autor. Conta detalhes de verdadeiros épicos, vividos de norte a sul, nas quebradas mais insólitas e improváveis daquele país. O Festival de Ganesha, festa mais popular da Índia; o Kumbh Mela, maior festival religioso do planeta; o kushti, luta praticada pelos devotos do deus macaco Hanuman; o Char Dham, uma viagem física e espiritual à rota de peregrinação mais roots e sagrada do país. E ainda banhos corajosos no Ganges, encontros com Saddhus, oferendas aos mais variados deuses e muita devoção. Tudo com um bom humor de deixar qualquer turista mal-humorado, no mínimo, intrigado. Um livro para quem quer sentir o cheiro da Índia, inspirar e expirar.

Vai lá: Karma Pop, de Arthur Veríssimo, ed. Master Books, previsto para setembro, R$ 120

 

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