Tpm / Arte

por Fernanda Ortega

O curador Luiz Pérez-Oramas revela bastidores, expectativas e concepção do evento

O Pavilhão do Ibirapuera da capital paulista abriga, a partir do dia 07, a 30ª Bienal de Arte de São Paulo. Intitulada A iminência das poéticas, ela recebe cerca de três mil obras de 111 artistas de todo o mundo e trata de temas como diversidade, recorrência e a constante transformação das poéticas. O curador da 30ª Bienal, Luis Pérez-Oramas, venezuelano e responsável pela curadoria de arte latina-americana do MoMA, promete inovação e independência durante os três meses do evento, que terminha dia 9 de dezembro. Aqui, ele conta um pouco sobre o trabalho de um ano e meio para a concretização do projeto e comenta a participação da brasileiras Sofia Borges e Nydia na mostra.

Como começou o projeto para a 30ª Bienal de São Paulo? Luis - Começamos a trabalhar em março de 2011 e, de cara, precisávamos de um pretexto suficientemente amplo para abraçar propostas de artistas muito diferentes. Não queríamos selecionar artistas a partir de um catálogo, nem selecionar artistas que estivessem em evidência por alguma conjuntura do momento. O trabalho foi intenso, visitamos todos os artistas nos seus respectivos ateliês para conhecer a obra de cada um.

Por que o nome "Iminência das Poéticas"? O que esse título tem de contemporâneo? A questão das poéticas é central, porque a arte contemporânea está cada vez mais ligada ao discurso. Ela se contrapõe à arte moderna justamente por causa desta questão. Também é fundamental que a arte consiga conciliar a poética com o que está prestes a acontecer, com a iminência.

Quais são as expectativas para essa Bienal? É importante entender que uma Bienal é sempre uma construção polêmica. Ela é uma opinião sobre a arte atual. No processo, estou tentando ser fiel a mim mesmo, não ao mercado da arte, nem ao público, nem às galerias.

Como os artistas e suas obras foram selecionados? Em uma Bienal como esta, com três mil obras, é preciso ter muitos critérios para selecionar as obras. Um deles consistiu em selecionar obras que colocassem em questão a diversidade das poéticas: a relação entre o som, o espaço e a imagem. Queríamos escolher artistas mais pela consistência do processo criativo do que pelo resultado dele.

Por que a os trabalhos da brasileira Sofia Borges foram selecionados? Ela é uma artista jovem e que nunca esteve na Bienal antes. Ficamos muito impressionados pela seriedade do trabalho da Sofia. Nele, a fotografia é usada para questionar a imagem, ou melhor, para pensar qual a função da imagem na constituição do pensamento e da realidade.

E os trabalhos da Nydia Negromonte? A Nydia tem uma obra muito consistente. Ela articula sistemas de arquivos fundamentais na construção da memória, como as funções básicas da realidade natural, do orgânico e das coisas que são funcionam coletivamente. O modo como essas coisas são desenvolvidas é muito importante para a arte contemporânea. Claramente, a Nydia está centrada na passagem entre as poéticas, entre as linguagens.

Vai lá: 30ª Bienal de São Paulo - A iminência das poéticas
Quando: 7 de setembro a 9 de dezembro de 2012 
Onde: Parque do Ibirapuera, Pavilhão da Bienal - São Paulo/SP
Quanto: grátis 
Horário de visitação: terça, quinta, sábado, domingo e feriados das 9 às 19h - entrada até 18h / quarta e sexta das 9 às 22h - entrada até 21h (*) fechado às segundas

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