por Juliana Sampaio
Tpm #114

As crianças de hoje têm iPad, mas não têm quintal e nem brincam de carrinho de rolimã

A infância do século 21 tem internet e TV a cabo com canais que passam desenhos animados 24 horas por dia. As crianças têm celular e uma agenda de chefe de estado, com cursos de coisas que a gente nem sabia que existia. Tem sim um monte de coisa bacana, mas também perderam alguns luxos que a gente tinha:

• Brincar em grupo fora da escola, por exemplo. Muitas brincadeiras que fizeram a alegria da nossa infância hoje padecem de falta de quórum. E o que era diversão virou atividade pedagógica: rouba bandeira, pique esconde, pare bola, mãe da rua.

• Aliás, a rua é uma das grandes perdas da infância do nosso tempo, se não for a maior. Eu me lembro de jogar queimada com os vizinhos na rua em frente de casa, parando só de vez em quando para algum carro passar. Alguém tem coragem hoje em dia de deixar uma criança de 9 ou 10 anos sair de casa sozinha, caminhando por aí?

• Família grande, quem ainda tem? Mais de dois irmãos ou mais de dez primos?

• Quer ver outra coisa que ninguém mais tem? Quintal. Não tô falando de área de lazer com playground e quadra poliesportiva, mas de quintal mesmo: aquele onde dá pra catar tatu-bola e comer goiaba no pé.

• E que criança hoje em dia sabe fazer carrinho de rolimã? Com ele, lá se foi aquele frio na barriga de se jogar ladeira abaixo. Bom, pelo menos as crianças de hoje têm cinema 3-D. Quem sabe alguém não filma esse clássico da infância do século passado, para elas experimentarem um pouquinho dessa adrenalina?

 

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