Aquecimento global?
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Há quem ache o inverno charmoso. A gente usa mais maquiagem, madeixas ficam mais lisas, e ainda lindas debaixo de um gorro florido. As meias a gente escolhe: coloridas, listradas, de coraçãozinho. No pé? Tamanco dinamarquês pros momentos casuais e bota italiana pros não tão casuais. Cachecol de tricô, de plumas, de pompom. Uma festa. Tudo isso é lindo quando dura um fim de semana. Repita o ritual de descascar camadas de roupa por quatro meses que ninguém quer saber mais do pompom. É como gravidez: a barriga é poética até a gente saber dos bastidores. Pois no inverno haja creme hidratante para lambuzar a pele, que sofre com tanto aquecimento dentro de casa. As gavetas não fecham com o volume dos pullovers. No cinema é o dilema de sempre: onde enfiar a casacada durante o filme? No fim de cada sessão há sempre um festival de luvas e gorros esquecidos no chão. Aí tem o episódio da ginástica. Você chega, despe-se no vestiário (o que leva muito mais tempo do que nos dias em que você chega de Havaianas) e vai para a esteira. De repente a batata da perna estira. Você sai mancando e ouve sermão do fisioterapeuta: “Canso de dizer que esta é a temporada dos estiramentos. Vocês não aprendem que nesta época do ano tem que se aquecer três vezes mais”. Bom, perna estirada pra cima não combina com Nova York. Mas, como tudo não está perdido, cobertor de orelha sim. Por sinal, este vale até no verão.
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