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Luto para que todos os seres humanos tenham direitos iguais. Direitos iguais na lei e na vida. Demorou pra cair a ficha. Fui uma universitária militante das “grandes causas nacionais” e muito pouco afeita ao debate de gênero. Achava que tudo estava quase pronto: escolhi o curso de quis, namorava quem eu queria, me vestia como gostava e atuava num ambiente predominantemente masculino (a política estudantil) sem maiores problemas. Até que fui eleita vereadora, depois deputada federal por duas vezes e agora deputada estadual. Passei a integrar um dos espaços em que as mulheres menos tem representatividade (a política institucional). Então, presenciei o machismo e entendi cada um dos espaços que ele se faz presente na nossa sociedade. Me tornei uma feminista depois de bastante tempo de militância política. Conhecer mais profundamente a realidade brasileira me fez ver quantos direitos temos negados. Salários menores, falta de investimentos do Estado em estruturas que nos ajudem a enfrentar a jornada dupla de trabalho (como creches com horarios compatíveis com a vida!), rede de combate à violência. Mas conhecer essa realidade também me fez como somos tratadas diferentes na vida. Como o machismo tenta nos rotular, nos oprimir, nos diminuir. Somos ‘as bonitas’, ‘as feias’, ‘gordas’ e ‘magras’, ‘encalhadas’ ou ‘vagabundas’, ‘jovens’ ou ‘velhas demais’. Somos sempre o vestido que usamos e não o papel que desempenhamos.
*Manuela d’Ávila, deputada federal no Rio Grande do Sul
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