Virei mãe, e agora?

por Redação

Como encarar as transformações que nascem com os filhos sem deixar de olhar para a mulher que existe além da mãe? Essa é a conversa do último episódio da Casa Tpm 2022

Como encarar as transformações que nascem com os filhos sem deixar de olhar para a mulher que existe além da mãe? Como encarar as transformações que nascem com os filhos sem deixar de olhar para a mulher que existe além da mãe? A maternidade também é aprender todos os dias, é não estar preparada, é ter medo de tudo e não ter controle de nada – e vice-versa. No quarto e último episódio da Casa Tpm 2022, que foi ar na TV Cultura e está disponível no YouTube, conversamos sobre a educação dos filhos, os desafios de criar filhos adolescentes e os relacionamentos depois de se tornar mãe. Negra Li, Djamila Ribeiro, Karine Teles, Elisama Santos, Deize Tigrona, Vanessa Rozan e Manoela Galvão são algumas das mulheres que entraram nessa conversa sobre maternidade sem clichê, tabu ou romantização.

ASSISTA AO QUARTO EPISÓDIO:

play

VEJA TAMBÉM: No terceiro episódio da Casa Tpm 2022, o papo é sobre o abismo de responsabilidades, demandas e carga mental entre homens e mulheres na criação dos filhos – e como isso desvaloriza o trabalho das mães

"Depois que vira mãe, a mulher é vista como um acessório, como uma categoria especial que tem que se submeter a um conjunto de regras. Às vezes eu estava com meu namorado em algum lugar e me questionavam: e seus filhos, cadê? Isso não é uma pergunta que se faz aos homens"

Karine Teles, atriz e roteirista

O que muda na hora de se relacionar romanticamente depois da maternidade? Como administrar as novas prioridades e também a maneira como passamos a ser vistas pelo outro — especialmente quando nos relacionamos com homens? "Quando usei um aplicativo de relacionamento depois da maternidade, sempre tinha o momento de falar 'eu sou mãe'. Algumas pessoas desapareciam – homens e mulheres –, outras já vinham com perguntas e cobranças", conta a atriz Karine Teles, que bateu um papo com a publicitária Manoela Galvão e a cantora Negra Li. “Os homens ainda se assustam com o tanto de carga que a gente tem. A mulher que trabalha, que é independente, que tem filhos, que tem outras prioridades…”, diz Manoela. Apesar das pressões impostas às mães, se abrir para novas relações pode trazer descobertas importantes. "Um erro que cometi foi me doar demais para a maternidade e esquecer meu lado mulher", conta Negra Li. "A separação veio como uma redescoberta. Eu tinha quase 40 anos e foi ali que passei a me conhecer, me dar prazer sozinha". 

VEJA TAMBÉM: No segundo episódio da Casa Tpm, mulheres inspiradoras conversam sobre os infinitos caminhos que podemos construir para a maternidade

"Aceitar que nosso lugar na vida dos filhos muda à medida que eles crescem é muito difícil. Além disso, precisamos lidar com os medos, porque, para nós, eles nunca vão estar prontos"

Elisama Santos, escritora, apresentadora e palestrante

Quando o papo é sobre maternidade, muito se fala sobre os primeiros anos de vida dos filhos, mas e os adolescentes? A puberdade chega cada vez mais cedo e vem como um tsunami: mudanças hormonais, alterações de humor, transformações físicas e emocionais em meio à descoberta da sexualidade e de uma dose maior de autonomia. Onde está o manual pra ensinar a traçar limites e, ao mesmo tempo, criar um espaço de comunicação com os filhos? O desafio de criar adolescentes foi tema da conversa entre a escritora, apresentadora e palestrante Elisama Santos, a maquiadora Vanessa Rozan e a funkeira Deize Tigrona. "O adolescente precisa se sentir escutado, respeitado. E isso não quer dizer que você vai sempre dizer sim. Mas ele precisa de um pai e uma mãe que empurra pro mundo e fala: 'vai, e eu vou lidar com os meus medos".

VEJA TAMBÉM: No primeiro episódio da Casa Tpm, falamos sobre a culpa(da) que nasce com a chegada dos filhos e o abismo na divisão de responsabilidade entre homens e mulheres 

“É claro que a criança sente falta da mãe que trabalha e estuda, mas ao mesmo tempo viramos um exemplo. Eu e minha filha temos uma relação muito próxima e isso não é uma questão para ela. Ela me ensinou e me libertou de culpas que eu carregava sem nenhuma necessidade”

Djamila Ribeiro, filósofa e escritora

“Quando fui fazer faculdade, a Thulane tinha 3 anos e todo mundo foi contra. Diziam: ‘Como assim, você vai abandonar sua filha com o pai? Ela vai deixar de te amar, você tá passando muito tempo fora”’, conta a filósofa e escritora Djamila Ribeiro, que dividiu a experiência de sua maternidade na Casa Tpm. Ela conta que só começou a se libertar da culpa quando percebeu que sua filha, hoje com 17 anos, sentia muito orgulho da mãe que estudava. “Eu mostrei para a Thulane uma outra possibilidade de maternidade, que ser mãe não é se anular”, diz. "Não quero ser essa mulher guerreira, que carrega o mundo nas costas. Sempre me humanizei para a minha filha. Ela conhece a Djamila além da Djamila mãe".

Créditos

Imagem principal: Layla Motta (@laylamotta)

fechar