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“Por que meu corpo te incomoda?”

Debate inspirado em projeto do canal Universa reflete sobre os absurdos padrões impostos às mulheres

“Por que meu corpo te incomoda?”

em 25 de agosto de 2019

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A conversa sobre corpo começou com a exibição de um vídeo da campanha “Por que meu corpo te incomoda?”, do canal Universa, do UOL, que reuniu exemplos de situações de repressão ao corpo feminino, por diferentes motivos: peso, pelos, cor da pele, amamentação. Em seguida, a editora do site Luciana Bugni, que mediou a mesa, convidou ao palco a psicóloga Mariana Nogueira da Luz, a bailarina Fernanda Lensky e a modelo Thais Silva.

Depois de ter sofrido ataques gordofóbicos na internet por conta de uma foto de biquíni, Thais organizou com outras mulheres um protesto na praia e levou o caso para a Justiça. “Eu consegui fazer isso, que foi uma coisa ruim, se transformar numa coisa boa”, lembra. Luciana aproveitou o gancho e indagou Mariana sobre os efeitos paralisadores que esse tipo de situação pode gerar e como contorná-los. “Não importa o que acontece conosco, mas o que a gente faz com o que acontece. O que acontece conosco a gente não controla”, respondeu a psicóloga, cujo trabalho é focado na saúde mental dos negros.

Em seguida, Fernanda assumiu o microfone para dividir as reflexões que teve sobre seu corpo e que a levaram a deixar de se depilar. Foi durante a gestação que ele percebeu que a rejeição aos próprios pelos não era natural e mudou sua postura em relação a eles. “Depois de ter passado por esse processo e conseguindo me adaptar, não me abalo mais com as críticas que recebo. Mas, às vezes, eu deixo de levantar o braço no metrô porque tenho preguiça dos comentários e dos olhares que vou receber. Tem dias em eu não quero militar, só quero não me depilar e estar tudo bem, eu só quero existir”, disse. “O feminismo não está aí para ser pesado”, disse Mariana, que completou: “Parece que a pessoa negra tem que ser ativista, e nem sempre ela quer ser ativista”.

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Thais deu seu ponto de vista sobre a questão: “Adoro dar a cara a tapa na internet, eu gosto, acho que tem que falar mesmo. Não estou nem aí para o que eles falam, penso que são os haters que precisam de ajuda”. Mariana concordou e acrescentou que, quando alguém desumaniza o outro, está se desumanizando também.

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