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Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça?

A foto do big brother abaixo resume bem o espírito da época

em 21 de setembro de 2005

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A Nasdaq desmoronou um pouco antes do World Trade Center. Até este primeiro tropeço, o Império Americano vendia pelo mundo o mito de que a tecnologia da informação era um presente redentor para o futuro da humanidade. Havia pouca dúvida. A convergência entre os chips da internet e as lentes do vídeo digital iria criar uma rede de comunicações descentralizada e democrática. Ganharíamos todos a possibilidade de nos transformar em pequenas emissoras de conteúdo independente. A liberdade de expressão individual estaria garantida. O poder dos grandes conglomerados de mídia seria confrontado. Deste intercâmbio de informação sem precedentes nasceria um novo paradigma de civilização. E aquele lema que Glauber Rocha cunhou nos anos 60 tomaria proporções exponenciais. Num passe da mágica tecnológica, ‘a câmera na mão e a idéia na cabeça’ se transformariam em milhões de câmeras nas mãos, bilhões de idéias nas cabeças. Era tudo muito bonito mas o século amanheceu com outro tempo. A foto do big brother aqui em cima resume bem o espírito da época. Travestido de vítima depois do ataque estúpido do fundamentalismo, o Império não tem mais nenhuma vergonha de deixar bem declarados os seus outros planos para o uso da tecnologia. A imagem não mente: ‘uma câmera na cabeça e uma arma na mão’ é o lema claro daqueles que, no lugar de uma diversidade de idéias, têm apenas dois neurônios dentro do cérebro. O do Bem e o do Mal.

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