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Rimbaud no Capão Redondo

Tradução de Uma Temporada no Inferno para o periferês

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Olá. Meu nome é Eduardo Fernandes e, a partir de hoje, escreverei neste espaço. A idéia é compilar a maior quantidade de bizarrices, contra-sensos e opiniões questionáveis que eu conseguir. Mas, relaxe, às vezes cometo uma coerência ou outra, por descuido.

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Frente Pela Libertação das Vestais
A burrice se espalha pelo mundo. Criamos uma entidade abstrata que chamamos de ‘público’, que controla nossas opiniões e dirige nossos pensamentos. Poucos jornais, TVs e revistas ousam desafiá-lo, levá-lo a realidades que talvez nem queiram conhecer.
Isso acontece porque, dizem, o público é bem limitado. Se deixarmos, sai por aí grunhindo e subindo em árvores. Mais: ele ainda gosta de ser bajulado. Se não damos exatamente o que quer, é falência na certa. Esse é um dogma quase inquestionável hoje em dia.
Por baixo disso, há centenas de fanzines, revistas, gravadoras independentes, artistas e até empresários que ainda acreditam que o conhecimento também pode causar prazer, entreter e dar novas perspectivas de vida. São um bando de vestais. Mas muito necessárias para que a cultura continue se renovando.
Por isso estamos lançando a Frente Pela Libertação das Vestais. Chega de vergonha por ter lido Machado de Assis na escola (e ter gostado). Chega do medo de pronunciar em público palavras com mais de três consoantes. Legalize!

Mano Rimbaud
Há alguns séculos, Lutero traduziu a Bíblia do latim para o alemão. E foi aquela festa. Ele acreditava que estava popularizando o conhecimento. Se o seu trabalho foi útil e/ou bem aproveitado, é outra questão. O importante é a atitude, tá ligado?
Pois bem: vamos seguir o exemplo e traduzir um dos poetas mais importantes da história. Para o periferês. Não sei se isso vai provocar outra revolução. Se acontecer, façam-na bem longe de mim. Odeio bagunça.Rimbaud foi uma espécie de pré-mano: criou a poesia freestyle, livre de normas acadêmicas. Era adolescente, metido com tráfico de armas, bebia e andava com péssimas companhias. Falava do submundo e das revoltas que iam pela sua alma.
Traduziremos apenas um fragmento do seu mais famoso poema: Uma Temporada no Inferno (quase um Sobrevivendo no Inferno, do Racionais MC`s). Aliás, traduzir não, que eu não sou mané: transcriar. Primeiro a versão original. Segura, peão.

Canção da Torre Mais Alta

Que venha, que venha
a hora da paixão
Tenho tido paciência
Nunca esquecerei
Temores e dores
Para os céus se foram
E uma sede insana
tolda minhas veias
Que venha, que venha
a hora da paixão
Estou como o campo
entregue ao olvido,
crescido e florido
de joios e resinasao bordão selvagem
das moscas imundas
Que venha, que venha
a hora da paixão

Agora a tradução:

Pagode da Cohab 2

Cola na banca, cola na bancahora de chapar o coco
Tô na moral
Mas tô ligado
Vacilos e frescuras zarparam.
E uma nóia forte
Me deixa na pilha.
Cola na banca, cola na bancahora de chapar o coco
Liga a favela?
na maior várzea, largada,dando um gásna podrera
como um papo comédiado
KLB

Cola na banca, cola na bancahora de chapar o coco
E aí Rimbaud continua falando de suas experiências no exército, em como conseguiu domar seu próprio espírito. Funcionou tanto que ele parou de escrever e foi viver. Enfim: deixe de preguiça e procure o livro. E, por favor, não me venha com essa conversa de que o público é burro. Certo, mano?

e-mail:
eduf@uol.com.br
site:
http://fraude.org/

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