Logo Trip

Rabada com literatura no Centrão

Lançamento de O fluxo silencioso das máquinas

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

Bruno Zeni, jornalista que foi um dos jovens escritores a estrelar o editorial Indústria Texto [TRIP#91 ], lança seu primeiro livro nesta terça-feira. O local é bem inusitado: um lendário mosca-frita em Santa Cecília, cujo maior destaque culinário é uma deliciosa rabada. No boteco há, inclusive, uma enorme placa que promete RABADA 24 HORAS. Bem, a rabada a gente não tem condições de recomendar – aí, vai da pessoa. Mas a despersonalizada e arrojada literatura de Zeni é para estômagos – e cérebros – fortes. Leia abaixo trechos do seu O fluxo silencioso das máquinas. E vai lá. [RB]

Lançamento: O fluxo silencioso das máquinas (Ateliê Editorial)
de Bruno Zeni
dia 26/3, terça-feira, a partir das 19h
Bar Esquina Grill
Rua Martim Francisco, 244 (Santa Cecília)
F: 3666-4493

O fluxo silencioso das máquinas
Diversos prédios possuem em seu topo pequenos focos puntiformes de luz vermelha. A balizar as rotas de avião. De cima, a cidade é um campo de luzes amarelas, brancas e vermelhas. Um mar de luzes que piscam.
Já alguns prédios, quando se passa por eles, acendem um grande facho branco. A pessoa vem andando pela calçada e quando passa pelo sensor – geralmente instalado na guarita do porteiro – faz-se a luz. É um susto, quase sempre. Um mergulho também, já que não se enxerga nada por uns momentos.
Bem-vindo ao serviço automático. Insira o cartão magnético. Digite sua senha. O mar de prédios que não dormem… As luzes todas. Esses computadores que viram a noite. Aonde vão as ondas que eles emitem? Confirme sua senha. Você está adentrando uma área de segurança. Deseja prosseguir? As informações fornecidas serão criptografadas para sua segurança.
O discreto rumor de um ar-condicionado. O cheiro grosso dos ambientes. Que comprime os pulmões um contra o outro, fazendo-os se fechar. Uma ficha para a máquina de refrigerantes, por favor. A queda surda de uma latinha de refrigerante. Digite novamente sua senha de seis dígitos. Insira e retire o seu cartão magnético para liberar o dinheiro.
Um café fora de hora. A ardência no contorno dos olhos de tanto habitar os andares fechados, onde o ar pesa. O ar confinado. A luz fria. O fluxo silencioso das máquinas: imprimindo, gravando, bipando, fazendo soar a infinita ocorrência do esgar. Rasga tudo por dentro, o tecido. O humano não-humano. A dependência química do ar concentrado. A sedação do olhar. O fluxo de inconsciência.

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

LEIA TAMBÉM