por Pedro de Luna
Trip #244

Foi-se o tempo em que pedir dinheiro em público era motivo de vergonha. Passados quatro anos desde as primeiras plataformas para financiamento coletivo no Brasil, por que alguns projetos são bem-sucedidos e outros não?

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Para Tahiana D’Egmont, CEO da Kickante, fundada em 2013 e que captou cerca de R$ 4 milhões em mais de mil campanhas, "quanto melhor a divulgação para o universo de interessados, mais bem-sucedido é o financiamento". Elementos como um bom texto e boa representação visual do projeto também são importantes.

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Na plataforma Catarse, criada em 2011, ou o projeto bate a meta ou não recebe nada. A diferença entre uma campanha bem-sucedida ou não está no bom planejamento. Quem estuda o modelo e a plataforma, planeja bem e executa com dedicação tem mais chances. Daí o fato de que 90% dos R$ 29 milhões recebidos até hoje foram para 54% dos projetos. A faixa mais popular de apoio é entre R$ 20 e R$ 29 e o apoio médio por usuário é de R$ 141. Quanto melhor a recompensa, maior o valor apoiado.

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O financiamento coletivo é uma troca, e toda cota de apoio envolve uma recompensa, mesmo que seja uma contrapartida simbólica. Na música, costumam dar certo a pré-venda de CDs e DVDs novos, por chegar ao fã autografado e antes do mercado, além de experiências únicas como ir ao camarim ou jantar com o ídolo.

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O público também precisa acreditar que é possível conseguir a grana dentro do prazo estipulado. "O projeto tem que ter o tamanho do artista. Uma boa ideia pode até chamar a atenção, mas precisa de respaldo", opina Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish. Sua banda precisava de R$ 60 mil para gravar o novo álbum, Vitória. Levantou R$ 260 mil.

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Para Leandro Delmonico, guitarrista da banda Charme Chulo, o segredo é ter fãs fiéis mesmo que em pequena quantidade. "Mas não é nada fácil convencer uma pessoa a parar o que está fazendo para ler a sua proposta, entrar no site, escolher uma recompensa e ainda pagar." Mesmo levantando R$ 30 mil para gravar um CD duplo, ele não pretende repetir a fórmula. "Não por birra, mas por manter aquele segredo bacana de um trabalho novo."

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No esporte, a saltadora e campeã olímpica Maureen Maggi corria o risco de não participar das Olimpíadas de 2016 por falta de patrocínio para os treinos. Ela realizou uma campanha e, graças aos fãs, já confirmou a presença na competição. O projeto Fixando Raízes WimBelemDon, que integra crianças através do tênis em Porto Alegre, bateu o recorde para projetos do terceiro setor, arrecadando mais de R$ 275 mil. Um dos trunfoi foi conseguir padrinhos como Fernando Meligeni e Gustavo Kuerten. O espanhol Rafael Nadal e o escocês Andy Murrau doaram raquetes para serem usadas como recompensas.

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A pesquisa Retrato do Financiamento Coletivo no Brasil 2013−2014 apontou que educação é a categoria que as pessoas tinham mais interesse em apoiar, e ao mesmo tempo a que mais carece de projetos relevantes.

 

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