BALADA DO PRISIONEIRO
Gemem os ferrolhos nas portas de ferro
Escorregam as correntes pelas grades
Chaves enormes deslocam as travas das fechaduras
Surdos cadeados transpassam elos de ferro e retinem secos.
Assim emparedado entre gritos estrangulados,
Alma decomposta em pequenos pedaços de lágrimas contidas
Lá esta o prisioneiro.
Seus sonhos foram esmagados um a um
Cheio de nada e seu hoje tão pequeno para tantos amanhãs.
Mas não se iluda: ele não chora arrependimento
Mórbido, errante, como plantas de plástico em vasos secos
Um desses filhos da puta que teimam em sobreviver
E que só quer ser deixado em paz
Porque aprendeu a se bastar
Nesse inferno criado por homens para homens.
Seu medo o alimenta
Seus olhos assustados o enchem de prazer
Ele não o teme, mesmo com seus malditos robocops
E tantas cicatrizes em seu corpo violado.
Para ele sofrer é poesia
E morrer é relampejar, extinguir a rotina das dores
E em branco lavar tudo de luzes.
Santo, lúcifer, diabo, alguém perfeitamente excluído,
Desses que fala a bíblia, assim meio sem sentido
Que sonha rir sem que alguém chore.
Mas não se engane com a umidade dos olhos;
Ele é touro que carrega a fúria de mil infernos
Com seus chifres e já sem esperanças de alcançar
O alvo que o comprime.
Luiz Mendes
19/10/2009.
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