Por Redação
em 21 de setembro de 2005
A arte
Artesão, artesanato
Arte de grande fardo
Beleza verdadeira
De atos inesperados
Quero arte
Em todos os lados
E tornou-se trevas
Em meio a tarde
Anunciando a chuva
Um fascínio
Um prazer
Em rascunhos
É Convocando a vida
Àquele que existe
Sem saber
Um suspiro
Um desejo
Um sentimento
Expresso tudo tinta, papel e pensamento
Divã
Chove na pedra
Umedecido destino
De estar ali e ficar
Sopra o vento
O vento certeiro
Que envolve as folhas
E convida-as para dançar
Nem se sente o tempo
O tempo a passar
Levando o lamento
De quem um dia
Sentou-se na pedra
Para chorar
Erro sem nome
Me retiro ao silêncio
Entre as árvores
Enumero os erros
A falta
Leva os instantes
Que agora jazem
Em alcovas sem lápides
O simples pensar
Que dispara o impulso elétrico
Dentro do meu cérebro
E arca o meu corpo
Trazendo tudo para dentro
E de lá
Jorrar o movimento
De minhas mãos
Traçando linhas em plano branco
Até o ponto.
Este é o êxtase de um poeta
Já fizeram de tudo
Menos o que tinha que ser feito
O defeito transcrito
Num infinito de erros
Um segredo para ser levado ao leito
É problema desta zorra
Porra esculachada
Ainda escracha, pelo direito
Vale fincar o dedo na ferida
Culminando com força inexistente
Repetição vai cria e briga
Com tudo passa por cima
E viaja pela via láctea
Tragédia Contemporânea Diária
A água
Que passa por baixo da ponte
E toda face
Por sofrimento molhada
As barrigas vazias
Pobreza miserável
Desnutrição, epidemia
Morte anunciada
Dor e humilhação
A autoridade distribui pancadas
Guerra civil, atos covardes
Gritos ecoam na madrugada
Preconceito
Um pré conceito elitizado
Ganância, poder, ignorância
E a corda estoura no lado mais ‘fraco’
Imensidão invisível
Ação imprevista
Caos total
A grande tragédia – vida
Estranhos dias de um poeta
Não ter lar, não ter parada
Seu mundo não é este
O seu mundo é um sonho
Desejando para todo sempre
Só mais uma vez
O conformismo
Deixa rugas na alma
Mas a revolta
É o tônico
Revigorante do ser único
Não entendo por que escrevo
Desconheço o motivo do existir
Lamento, choro, rio e crio
Minha maluca forma de viver
Jogo tudo para cima
E seguro na queda o que preciso
Sou indeciso, triste, descontente
Minha emoção que se confunde
Fico sem fala paro e prenso
Penso neste contexto
Faço verso e distraio a melancolia
De uma vida que apesar de reclamar adoro
E por nada troco
Na veia
Na cabeça
Em corpo, como um todo
Anestesia do tentar mudar o mundo
Mudar o mundo
O universo colossal
Odiar esta forma de tantos dessabores
Numa mente que pensa diferente
Nossa sociedade desigual
E um tanto quanto alienante
Se foi a anestesia
Ficou a vontade
De modificar este mundo
Mudar o mundo
Revelações que me chegam
E escapam no espaço do esquecimento
Lá onde guardo o passado
E a cada noite
Do esquecido ato renasço
Novamente
Diferente
Renovando o ciclo metamorfo
Que tudo acabe
Termine nas rosas
No fogo
Que consome o corpo
A mente
O pó, as cinzas
Guardam o retorno do poeta
Que após consumir-se em chamas
Renasce em primavera
Quando novamente o amor
Abrirá suas pétalas
Se tudo passa
Tudo irá passar
A pergunta que fica
É até quando suportar
O cárcere
Que corrói como verme
Impregnado na mente
O grito não é ouvido
E só dor fica aqui do lado
O que se acha certo
Condenar ao não triunfo da verdade
Verdade tão clara
Ignorada por ignorantes idiotas
Enquanto tudo isso não se resolve
Vendo a humanidade caminhando cegamente ao fim
A destruição do amor, da sinceridade
Levando consigo
A verdade
Nas vezes que o coração bate apressado
Parecendo estar apertado
E as lembranças a flutuarem
No céu da mente
Os olhos internos
Às percebe, fita-as com pesar
Pensando no passado
Que ficou isolado
Pelo deserto vazio do presente
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