por Marcos Palmeira
Trip #232

Marcos Palmeira, Bela Gil e Pedro Paulo Diniz discutem como tornar a comida orgânica mais acessível

 

“Primeiro precisamos entender o que chamamos de mais barato. Não estamos mensurando o gasto com remédios nem a destruição da natureza. Esse valor precisa ser revisto, mas acredito que, quando os consumidores exigirem a informação de origem do que estão comendo, esse preço tende a ficar mais justo. Ele jamais será igual ao de um alimento convencional industrializado, produzido por alguém que é explorado por quem vende.

comida orgânica será mais barata com a cobrança do consumidor pelo aumento da oferta. Ainda perdemos produtos no campo. O mais importante é entendermos o real valor do alimento. O que está embutido nesse ‘mais barato’ dos alimentos convencionais? Na produção orgânica, ganha quem produz e quem consome. Sem atravessadores.”

Pedro Paulo Diniz43 anos, ex-piloto de Fórmula 1 e produtor orgânico

Existem duas maneiras de abordar este problema: a primeira é com uma perspectiva a longo prazo. Para uma pessoa que come mal, vai custar muito mais se cuidar no futuro que economizar no presente comprando comida barata! A curto prazo, existem formas bem criativas de se alimentar bem e dou aqui alguns exemplos:

• Trocar alimentos muito industrializados por alimentos integrais e orgânicos. Eles saciam mais e trazem benefícios mesmo em menor quantidade, como arroz integral.

• Participar de algum grupo de compra direto do produtor.

• Comer mais em casa, o que acaba sendo mais barato e muito mais saudável.

Acredito que, com o aumento da demanda dos consumidores, os produtores de alimentos orgânicos vão se fortalecer e se desenvolver para ter cada vez mais tecnologia. Como consequência, poderão colher orgânicos mais acessíveis. Temos categorias que estão bem desenvolvidas no Brasil como, por exemplo, hortaliças, com preços bem próximos da produção convencional. Nossos iogurtes orgânicos (a marca é Fruto do Sol) já são mais baratos que os de algumas marcas convencionais.”

Bela Gil, 26 anos, nutricionista e apresentadora do programa Bela cozinha, no GNT

“Comer bem não é necessariamente mais caro, se a pessoa se dedicar a preparar os alimentos. Porque o preço barato que pagamos no fast-food se deve justamente à rapidez e ao ultraprocessamento no seu preparo. A base dos alimentos rápidos e industrializados está em produtos subsidiados, como trigo, milho, soja, leite e carne.

Para isso mudar, um incentivo do governo seria necessário. Infelizmente isso não ocorre com frequência, até porque uma sociedade saudável não traz dinheiro a nenhum setor. O ideal por enquanto é comprar diretamente do produtor, porque a maioria dos supermercados cobra de 100% a 300% sobre o valor de compra.”

Neka Menna Barreto, 52 anos, chef, banqueteira e nutricionista

“Caro é poluir rio, envenenar lençóis freáticos, machucar a terra, matar abelha, mudar o ritmo da flora e da fauna. Isso é muito caro. As leis no Brasil ainda aceitam muita coisa que já é proibida em outros países. Não existe uma lei que controle o sitiante que enfraquece sua terra com agrotóxicos. A comida que nasce dessa terra parece que é, mas não é. Um morango não é um morango 100% morango. Se pensarmos com amplitude, olhando toda a cadeia do alimento até chegar na nossa mesa, é muito mais caro o alimento não orgânico. O preço vai para a saúde. Aí você vai comprar um remédio, quanto custa? E um médico? Orgânicos são um pouco mais caros, mas quem os consome gasta menos com médico. Nunca foi tão fácil comprá-los. E a solução para barateá-lo é justamente aumentar a demanda e a oferta. É importante popularizar o orgânico e, claro, informar o quanto ele traz benefícios em uma escala maior que sua própria cozinha.”

matérias relacionadas