O RIO MELHOR QUE SÃO PAULO
Ainda que a vigência do politicamente correto recomende evitar, comparações entre Rio e São Paulo, pelo jeito, jamais deixarão de povoar o noticiário e as conversas em varandas, salas de estar e botequins
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Ainda que a vigência do politicamente correto recomende evitar, comparações entre Rio e São Paulo, pelo jeito, jamais deixarão de povoar o noticiário e as conversas em varandas, salas de estar e botequins. Em dezembro último, por exemplo, jornais divulgaram estatística provando que a PM carioca mata cinco vezes mais que a paulista. Ponto para os defensores da produtividade e do trabalho em detrimento do lazer e da vida mais racional. Logo em seguida, a vingança dos cariocas: estoura o escândalo das regionais, mostrando que na cidade onde há mais dinheiro, a extorsão praticada pelos corruptos representantes do poder, atravessa todos os níveis de hierarquia. (Abrindo parênteses, se nenhum vereador paulistano for caçado e as prisões se limitarem a fiscais rasteiros, será um sinal de que nada mudou nesta terra. Caso contrário, teremos motivo para festejar de verdade neste Carnaval).
Nas minhas passadas de rastelo pelos jornais paulistas porém, nada via a respeito de um decreto assinado recentemente pelo prefeito do Rio Luiz Paulo Conde, que abre larga vantagem em favor dos cariocas na batalha virtual contra os paulistas.
O decreto de Conde cancela de uma canetada, todos os contratos de exploração de mídia exterior em espaços públicos na cidade. Estamos falando de outdoors, backlights, painéis eletrônicos e toda sorte de placas e sinais aleatória e horrivelmente tomando conta e se alastrando como cancros pela cidade. O decreto deixou de fora apenas os abrigos de ônibus e as passarelas da Avenida Brasil, espaços que já foram objeto de licitações.
Não haverá retirada imediata dos anúncios. Isto só será feito 60 dias após o decreto, prazo para conclusão de estudo encomendado ao Instituto Pereira Passos (o ex IPLAN Rio) que determinará quais são os lugares adequados e a quantidade de painéis permitida em cada área, levando em conta estética, bom senso e sinalização de trânsito. Quem imagina que com isso a cidade ganhará em beleza perdendo em arrecadações está se precipitando. Segundo a prefeitura, a arrecadação com a exploração dos espaços está na faixa de 1 milhão de reais por mês. Com a nova licitação e o interesse das empresas por placas melhor localizadas e em menor quantidade (portanto com menor concorrência disputando os cansados olhos do cidadão), a previsão é de que este valor seja multiplicado por dez, valorizando esse tipo de mídia hoje banalizada pelo excesso caótico e pela concorrência exercida por milhões de placas clandestinas e irregulares. Todas as vezes em que me manifestei neste espaço contra a chacina arquitetônica causada pela poluição visual de placas, outdoors e backlights, sempre deixei claro ser a favor da permanência deste tipo de mídia, desde que regulamentada e organizada com bom senso e à luz da arquitetura e do urbanismo modernos. Aparentemente o prefeito Conde deixou a retórica de lado e partiu para a ação, coisa cada vez mais difícil para seu colega paulistano às voltas com frangos, fiscais e regionais num rodamoinho que tende a engolí-lo.
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A ressurreição de Grilo
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu