O que faz seu corpo vibrar?

por Redação
Trip #233

O que excita homens e mulheres, do ponto de vista sexual? Psicanalistas refletem sobre

O que excita homens e mulheres, do ponto de vista sexual? Há muita diferença nos processos de cada um? Dois psicanalistas refletem sobre a questão e indicam que, embora certos estereótipos resistam, há novas maneiras de lidar com o tesão

478 mecanismos

No meu livro há um capítulo inteiro para descrever como homens e mulheres se sentem debaixo da pele quando ficam com tesão. Em geral a reação dos homens e das mulheres a esse trecho é de estranheza e espanto. A maioria acha que há algumas diferenças e muitas semelhanças entre os dois – e que as diferenças são simétricas (onde há em um uma protuberância, em outro há um orifício). Mas não são simétricos nem complementares: na verdade, vivemos um delicioso (e às vezes doloroso) mal-entendido na cama.

Homens se excitam sobretudo de três maneiras: uma excitação mais autônoma, a partir de gatilhos internos (acúmulo de testosterona, esperma etc.); outra sensorial, principalmente pela visão de algo excitante, em geral partes do corpo; e finalmente a terceira, pela preferência sexual concreta – por exemplo, ao vislumbrar uma atividade sexual de sua preferência (sexo oral, anal, etc), daí muitos de filmes pornográficos que as mulheres acham malfeitos e antiestéticos.

Mulheres têm também todos esses mecanismos de excitação. Mas elas se excitam não por três mecanismos principais, mas por 478! Tudo é mais plástico, variado e depende do dia, hora, contexto, parceiro e do estado de ânimo dela mesma. Muito da excitação pode depender do desejo e da volúpia do parceiro, ou da estética do cenário (uma viagem em uma linda praia, ela de biquíni, o vento, um drink e um homem bonito, cheiroso e gentil) ou do modo como são tratadas (em geral, preferem algo mais atencioso a homens durões). Mulheres também podem se excitar pelas diferentes emoções – gratidão, piedade, admiração e até raiva podem se transmutar em tesão, algo que a maioria dos homens acha esquisitíssimo. E, acima de tudo, elas brocham se o cenário estético-sensual não for atraente (o motel com lençol sujo, o lindo homem falando português errado ou sendo pão-duro).

Há inúmeras diferenças no ritmo, no prazer da sedução, na relação com o próprio corpo e com o corpo do outro. Também é importante lembrar que não é verdade que “homens fazem sexo e mulheres fazem amor”: pode ser o contrário, muitas mulheres em certas ocasiões querem só sexo. Há muita pressão social e questões de ciclos de vida defasados que fazem com que, em certas épocas da vida, a mulher queira mais amor e eles mais sexo. Em outras fases, isso pode se inverter. Enfim, somos diferentes, mas ambos somos capazes de só ter tesão ou de só amar (sem tesão). Ou ainda de amar e sentir tesão ao mesmo tempo.

Luiz Alberto Hanns é psicólogo, psicanalista e pesquisador em psicoterapia comparada. É autor de A equação do casamento – O que pode (ou não) ser mudado na sua relação (editora Paralela)

Estamos em outros tempos

Esta é uma boa e velha discussão. Muita gente diz que o homem é mais visual, precisa ver peito, bunda; que foto de mulher pelada funciona pra homem. E que mulher precisa estar envolta em uma narrativa para se excitar. Precisa de uma historinha, de 50 tons de cinza. Que homem consome pornografia, mulher não. Que mulher precisa de amor e carinho, homem não. Que homem quer ser garanhão e ficar na putaria, a mulher vai querer casar.

Eu diria que deveríamos complexificar essa história.

Temos formações diferentes, somos feitos de essências genéticas diferentes e culturalmente estamos, sim, colocados no lugar onde o homem tem uma posição mais voyeurista e a mulher, uma posição mais de objeto desse olhar. Mas os papéis estão em transformação. É uma dinâmica antiga, essa em que o homem só exerce o papel de macho se a mulher for o sexo frágil, que não deseja, que não comunica excitação. Em que a extrapolação do feminino para o lugar de sedutora confunde o lugar do homem. A pós-revolução industrial e a revolução sexual já foram fazendo um deslocamento desse lugar. A mulher vai trabalhar, sai pra rua e não é só casamento, lar, filhos. Vai entrando no espaço público, conquista mais direitos.

Sobretudo agora, a gente libera os desejos. O homem pode escolher ter uma mulher e rejeitar o papel de garanhão. Talvez a mulher deseje outra coisa além de ser um objeto desejável. As coisas estão mudando de maneira irreversível. Em partes, a mulher ainda precisa da narrativa pra ficar excitada, mesmo essa nova mulher. “50 tons de cinza” é carregado dos estigmas patriarcais, mas mostra uma mulher desejante, que se permite gozar e aprender. (É patético ela ser virgem em pleno século 21, mas ela não deixa de ser uma heroína sexualizada.)

Devagarzinho, mesmo a cultura mainstream já sexualiza a mulher de maneira que não dá mais pra ela ser pura, casta. A princesa contemporânea precisa gozar. Estamos em outros tempos. Uma vida sexual interessante é aquela em que qualquer um pode exercer muitos papéis. O de dominador e o do submisso. É importante transitar com o desejo. O que te dá tesão? Como seu corpo vibra? Estar dentro da sua pele é a melhor forma de descobrir.

Assim como o homem se excita com o peito e a bunda, a mulher também pode gostar de pau, de peito, de perna. Algumas confessam que gostam, a maioria não fala porque ainda é tabu. Complexificar a excitação é a chave. A gente tem raciocínios muito binários. Amor é assim, sexo é assim. Isso é tosco e simplista, não cabe mais no contemporâneo. Romper paradigmas é importante: o da beleza, o da juventude, o de gênero e o do que excita mulher e homem. Se libertar dos raciocínios estereotipados. O mergulho nessa complexidade traz o mais rico do tesão de um indivíduo.

Maria Lucia Homem é psicanalista e professora na Faap e no Núcleo Diversitas-USP. É autora de No limiar do silêncio e da letra – traços da autoria em Clarice Lispector (Boitempo, 2012)

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