por Fábio Sumaré

O estilista se afasta do fast fashion e cria peças atemporais e de qualidade à frente de sua grife, a Piet

Em tempos de fast fashion, a busca por peças atemporais e de qualidade se mostra uma tarefa cada vez mais desafiante. No universo masculino, no qual a exigência é crescente, a Piet surgiu como uma alternativa, totalmente baseada no slow fashion, no artístico e no pessoal. “Sempre surge de uma experiência pessoal, alguma fase que estou vivendo. Sempre penso inserir no meu processo criativo métodos e trabalhos artísticos que são meus, por exemplo, as pinturas (feitas por mim), os desenhos, as frases... São coisas que remetem a sentimentos meus. A Piet é uma experiência pessoal”, explica o araçatubense Pedro Andrade.

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O estilista também passa para suas roupas referências do design industrial, em busca de um guarda-roupa prático e, ao mesmo tempo, conceitual. Sua coleção mais recente, Variations on a Theme, está sendo vendida em uma pop-up temporária em São Paulo, onde as peças são apresentadas em uma simbiose com a instalação Subversive seasons, do artista plástico Tom Escrimin. 

Trip. O que é moda pra você?

Pedro Andrade. Pra mim, é você se sentir confortável e verdadeiro com o seu estilo de vida, com a sua personalidade. A roupa, a moda, a sua moda tem que falar sobre você, falar por você. É expor a sua personalidade através da roupa, acho que isso é a moda.

Como funciona essa ideia nas suas coleções? A criação sempre surge de uma experiência pessoal, alguma fase que estou vivendo ou que passei nos últimos meses. Sempre penso em inserir no meu processo criativo métodos e trabalhos artísticos que são meus, por exemplo, as pinturas (feitas por mim), os desenhos, as frases são coisas que remetem a sentimentos meus. Enfim, a Piet é uma experiência pessoal.

Sua moda é sempre voltada para a vida urbana. Quais elementos são essenciais? Acho que sempre uma boa calça, uma peça bem cortada, como uma jaqueta jeans, um bom calçado. Sempre uma roupa bem cortada e que fala sobre você. Que você veste e se sente confortável e verdadeiro.

Como você define o estilo da Piet? A Piet transita no mundo do high-end e do streetwear de uma forma inusitada. Trazendo elementos do design industrial e do workwear. Com linguagens técnicas, com elementos mais brutos e ao mesmo tempo uma sofisticação. A Piet conversa com esses mundos diferentes, acho que ela é uma ponte.

O que você pode falar sobre a coleção atual, Variations on a theme, em comparação com as anteriores, Parasonomia e Chaotical? São coleções que representam fases diferentes da minha vida. Chaotical reflete um pouco da vivência caótica de São Paulo, quando estava morando aqui. A Parasonomia contou sobre um sonho que eu  tive numa outra fase da minha vida. E a Variations é uma fase minha mais tranquila, respirar antes de agir, pensar. Sentir o que o corpo fala, que é  isso que está escrito em  cada peça. Que tem o seu tempo, respeita.

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