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O dilema

em 21 de setembro de 2005

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Há uma cena quase no final do filme O Nome de Rosa, em que Christian Slater, sentado em seu cavalo medieval, vestido com sua batina franciscana, e com um olhar inocente e angustiado que a idade e o personagem lhe permitiam, pára, ao lado de Sean Connery, e volta-se com olhos penetrantes para uma moça com cara de cantora de pop latino, vestida com roupas de mendiga-camponesa. A moça foi a primeira e única experiência sexual do personagem Slater de batina. Em cima do cavalo, Slater já havia tomado sua decisão: embora a olhasse com ternura e sentisse a dor dos apaixonados, seguiria sua peregrinação com o mestre Connery e deixaria para trás a memória de um amor que, livre dos ataques cotidianos, foi salvo de acabar. Slater narra, ao fundo, a escolha que fez, dizendo que nunca se arrependeu do rumo tomado, mas que jamais esqueceu a mulher que poderia ter sido sua. O dilema de Slater não é original nem tampouco particular, e pode soar até meio piegas. Mas talvez por isso mesmo emocione tanta gente. De tempos em tempos lembro-me da cena, pois, embora universal em seu apelo, curiosamente não tem par em nenhum outro filme (talvez apenas em The Razor´s Edge, sob outra ótica). Apear do cavalo, descansar o lombo e criar uma família ou, simplesmente, deixar-se galopar sem amarras na colina, é o dilema essencial do sexo masculino. Queremos a horta, a mulher e as crianças, mas a colina está sempre ali ao lado nos provocando, em horizonte de tentadores formatos curvilíneos. Nada é por acaso e Deus sabia muito bem o que estava fazendo. É, na verdade, uma das maiores piadas que Ele nos legou.

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