por Redação
Trip #232

Sete milhões de pessoas morreram prematuramente em 2012 por doenças causadas pela poluição do ar

Segundo o relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde em março deste ano, a poluição atmosférica está causando mais estragos na saúde do mundo. Sete milhões de pessoas morreram prematuramente em 2012 por doenças causadas pela poluição do ar. Reduzir essa poluição pode salvar milhões de vidas.

seguir, algumas opiniões sobre o assunto. No link abaixo, mais sobre o estudo da OMS. 

Vai lá http://goo.gl/MbdtZR

Questão de lógica

Tem um monte de estudo que mostra que sim. Mas me parece mais interessante considerar que o resultado do veneno que está no ar nasce de uma lógica que se reflete nos ouvidos, nos olhos, na pele, no espaço que nos circunda. É científico que o ar poluído tem aumentado o índice de doenças físicas ano após ano, mas a lógica que gera o ar poluído – e considera normal, por exemplo, passar horas diariamente preso dentro de um automóvel – certamente gera mais doenças psicológicas do que podemos imaginar e comprovar cientificamente.”

Alexandre Orion, 35 anos, artista multimídia, é autor da intervenção Ossário, em que usou um pano úmido para desenhar sobre as paredes de um túnel de São Paulo, cobertas de fuligem

Feito Cigarro

A poluição do ar hoje representa um problema de saúde pública. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, no ano de 2012, 7 milhões de pessoas morreram prematuramente no mundo por essa causa. Dessas, 4 milhões em consequência da poluição intradomiciliar (queima de combustível de origem orgânica para aquecimento ou preparo de alimentos), enquanto 3 milhões morreram devido à exposição à poluição externa. A maioria ocorreu na Ásia, Oriente Médio, África e Américas Latina e Central. Ou seja, poluição é coisa de regiões carentes.

As mortes se devem às seguintes doenças: infecções respiratórias, infartos cerebral e do miocárdio, câncer dos pulmões e abortamentos. Os segmentos da população mais vulneráveis são crianças, idosos e indivíduos portadores de doenças crônicas como hipertensão arterial, aterosclerose, diabétes, bronquite crônica e asma.

As estimativas gerais são de que 16% dos tumores pul­monares, 20% dos infartos pulmonares e 14% das infecções respiratórias do mundo sejam causadas pela poluição do ar.

As forças responsáveis por essa situação são:

a) aumento do consumo de energia pelos países em desenvolvimento com baixa tecnologia;

b) aumento do tempo de permanência no tráfego (onde há maior poluição) devido à imobilidade no trânsito;

c) opções de obtenção de energia obsoletas e muito poluentes.

poluição do ar reproduz com menor intensidade todos os efeitos do cigarro: causa danos ao DNA (mutações e câncer), altera os mecanismos de defesa dos pulmões contra agentes infecciosos, prejudica a fisiologia dos vasos sanguíneos e altera o controle dos batimentos cardíacos. O cigarro faz isso com muito mais intensidade. Mas, por outro lado, o número de pessoas expostas à poluição é muito maior do que o de fumantes.”

Paulo Saldiva, 59 anos, médico especialista em saúde ambiental e membro do Comitê de Qualidade do Ar da Organização da Saúde (OMS)

Poluições da alma

Com certeza. O ar das grandes cidades contém uma poluição constante que se realiza em gases e sentimentos. Crescem a violência e o medo, que são poluições da alma. Embora estejamos cada vez mais urbanos, fadados a viver em cidades sempre maiores e mais entomizadas (como os grandes aglomerados de insetos), ainda trazemos os costumes primatas, de viver em pequenos grupos. Isso cria uma permanente tensão, que precisa ser solucionada para que possamos nos harmonizar com o destino.”

Leão Serva, 54 anos, jornalista e escritor, coautor do guia Como viver em São Paulo sem carro

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