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Debate eleitoral surreal

Colunista conta o que ninguém viu no debate entre os candidatos ao governo de São Paulo

em 21 de setembro de 2005

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Possível diálogo:Fernando Morais: Gostaria de pedir o direito de dar um peteleco na testa docandidato Alckmin.Mediador: Direito de peteleco concedido.Fernando Morais se levanta.Mediador: candidato Fernando Morais, você tem 30 segundos para aplicarpetelecos no candidato Alckmin.
Deixa de Vanessa Barbara, editora do Damn Zine.
Fernando Morais se levanta e esmurra Alckmin com paciência. O tempo acabaexatamente quando Morais quebra o nariz do governista, num direto de esquerda (afinal, ninguém hoje admite a possibilidade de um golpe de direita).
Alckmin se diz ofendido e pede direito de resposta. Concedido. Pega umcanivete suíço e fura o olho de José Genoíno – já que tivera os óculos quebrados por Morais e perdera o senso de direção.
Genoíno quer uma réplica. Ok, produção. O marqueteiro diz que a melhor estratégia para o candidato é evocar seu passado de lutas contra a ditadura.
O petista não tem dúvida: cola na orelha de Alckimin e começa a cantar ‘veeeem vamuuus embora que esperar não é sabeeeer. Quem sabe faz na hooora não espera aconteceeeer’.
O mediador grita: ‘golpe baixo’. A platéia não se contém e começa a tirar a roupa, jogar palavras cruzadas e a desenvolver furúnculos. Alguns populares invadem os estúdios da Rede Bandeirantes de televisão e seqüestram a apresentadora Ana Luiza Castro.
Um repórter de uma revista semanal tira fotos do balé para estampar a capa dapróxima edição: ‘Como se comportam os adversários de José Serra’. Alguém lhepergunta: ‘O que tem a ver uma coisa com outra?’. O sujeito se ofende e enterra uma caneta Mont-Blanc no olho do adversário.
Sem rumo, o mediador informa que o tempo está esgotado. Nenhum efeito: agoratodos os candidatos estão em cima das horríveis bancadas em dégradé do estúdio e dançam le cancan. Ao fundo, Toulouse-Lautrec pinta a cena, que será publicada no Pasquim.
Um rapaz filma um documentário sobre os sapatos dos candidatos durante a campanha eleitoral (o diretor teve que fazer uma leve mudança no roteiro, já que só conseguiu patrocínio de uma conhecida fábrica de calçados alemães, que fica em Capivari, SP).
O diretor do debate está ocupado falando com a filha ao celular. Ela lhe pede algum dinheiro para pagar o motel, já que esquecera a carteira junto com os orgasmos. Quando o diretor se deu conta da alegria que se instaurou no programa, sua filha já havia se decidido pela carreira de modelo e atriz.
Cambaleante (era manco), a autoridade máxima do debate cai. Mas, no processo, consegue chamar os comerciais. Eles não respondem, nem ligam no dia seguinte. A tela da TV é protegida por algum produto cancerígeno vendido numa embalagem reciclável.

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