Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Por alguma estranha razão achamos que estamos sempre em ascensão, rumo a algo melhor. É difícil admitir a queda. Por isso, quem come peru não quer mais saber de mortadela. E o pobre do plano real, aquele que comeu iogurte, frango e usou dentadura (as estrelas do plano econômico), não quer saber de diminuir seu padrão de vida.
Junto com ele temos as celebrities do TV Fama. Eles (que começaram a carreira como modelo e viraram ‘atores’) hoje já não querem mais saber de expediente. E os que participaram de um show de realidade, transaram alguém famoso; agora ganham o pão mostrando as nádegas nas revistas ou fazendo baile de debudante no interior. Uma valsa pode render até 10 mil reais. Difícil mesmo vai ser voltar à carteira de trabalho.
Os diretores de comerciais de TV que antes podiam embolsar até 200 mil reais, se contorcem quando hoje tem que trabalhar por 30 mil. As agências de publicidade que antes cobravam o BV dos seus parceiros -uma pequena ajuda por fora -; hoje se desesperam com o encolhimento do mercado.
É o efeito Argentina, aquele que quebra saltos Channel ao fincar o pé dos orgulhosos no chão. Está cada vez mais difícil manter a pose, tanto que até as peruas fugiram. Outro dia conheci duas que vieram da Argentina rumo aos restaurantes badalados de São Paulo, em busca de,… hum…, novas perspectivas.
Lembra da paridade real/dolár? Lembra dos brasileiros comprando em Nova York ao som de Frank Sinatra, visitando a Victor’s em Miami, a Berta-Brasil Boutique da Rua 46 anunciando no SBT e a hoje falida Soletur levando os ‘brazilionaries’ rumo a terra encantada. Puf! Sumiram!
Os novos tempos chegaramaté ao morro, com a queda do preço da cocaína e o advento do ecstasy. Guerra pelo market share da cocaína, ao som das soluções estapafúrdias. Como aquela tirada do diário dos ursinhos carinhosos de que basta oferecer alguma chance a um traficante, como um pedacinho de terra e esperança e ele vai mudar de vida. Vida esta que paga muito mais, obrigado. Pequeno agricultor, bah!
Se quem é rei nunca perde a majestade, está na hora de enxugar a corte. Afinal, no começo do ano, nem o mais pessimista dos analistas financeiros profetizava que um dia o dólar iria chegar aos R$ 3,60. Por isso, vamos pegar o limão que não dá mais nem pra fazer limonada e simplesmente espremer para dar um gosto ao pão com mortadela. Vamos aos novos tempos!
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
A ressurreição de Grilo
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu