Trip
Absurdo
em 6 de outubro de 2014
Cada dia que passa mais me parece que viver só é lógico se houver um porque de viver, uma ideologia, uma visão de mundo que justifique a existência. Em outra palavras, é preciso que se tenha uma motivação existencial. Ou múltiplas motivações que podem ser fixas ou móveis, mas que, principalmente, nos forneça ânimo e disposição para que possamos trilhar os complicados caminhos de nossas vidas.
Pode ser um postulado religioso ou até filosófico. Por exemplo, para os religiosos, a idéia espiritualista de que há um Deus feito de bondade, que nos ama, cuida de nós e ao morrer ficaremos em paz junto a ele. Uma promessa e uma esperança e tanto, que inunda de fé, dá forças, sentimentos fraternos e motivação de vida a seus crentes. Não podemos esquecer as outras promessas nem tão esperançosas assim: inferno, purgatório, carma…
Um postulado filosófico poderia ser, só para exemplificar, o marxismo. Comunismo vem de comum, seria a idéia de que somos iguais e todos merecemos o mesmo tratamento (no cristianismo não é diferente). A premissa marxista é: de cada um segundo sua capacidade e a todos segundo sua necessidade. O socialismo seria a evolução, ainda dentro da ideologia marxista: de cada um segundo sua capacidade e a todos segundo seu empenho. A dificuldade ai é da condição humana atual. Nós ainda nos corrompemos, ainda não somos capazes de dividir e ver o outro como igual. Estamos ainda sedentos pelo poder sobre os outros, desesperados para ter e consumir mais que os outros e competindo para ser melhor que os outros.
Claro que há trocentos outros postulados filosóficos e outras tantas teologias. É possível se pensar como um racionalista, um existencialista, um estruturalista; ou como um cristão, um islamita; um budista; um induísta e vai por ai afora. Tais ideais e crenças nos estruturam e nos permeiam dando sentido à nossa vida.
Mas, na medida que vamos nos aprofundando, o problema vai se tornando mais complexo. Precisamos de muito mais motivos de existir, já agora não apenas para viver, mas também para nos sentirmos vivos. Um motivo para acordar cedo; outro para pegar a condução lotada, ainda outro para trabalhar o dia todo pela merda de um salário que já estamos devendo. E tem que ter mais um outro (fortíssimo!) para voltar cansado, esmagado, na condução lotada novamente. Um motivo para olhar as pessoas e sentir afeto por elas, apesar de tudo, e tentar compreende-las, assim como a nós mesmos. Para trabalhar, viajar, sonhar, devanear. amar, escrever…
Precisamos de todos os motivos do mundo e mais um pouco para sustentar nossa existência. Motivos a longo prazo, a meio prazo e imediatos, a todo momento estamos à caça de significados e motivos porque sem eles a vida torna-se um absurdo.
**
Luiz Mendes
29/09/2014.
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