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A OBRA DE MALUF ESTÁ SEM ALVARÁ

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Em tempo de eleição, vale a pena discutir o que se entende por eficiência. Quem disse por exemplo que a prefeitura de Celso Pitta não é ágil e prestativa? Quando se trata de atrasar e infernizar a vida do contribuinte, a prefeitura funciona ligeira e desempenha seu papel com brilho.
Uma amiga que tem uma pequena floricultura com duas sócias recém-saídas da escola lamentava-se dia desses diante de um papel preenchido a caneta com um arrazoando que tornava-o difícil e solene.
Sob o brazão da prefeitura com aquele bracinho de cyborg empunhando uma machadinha e os dizeres NON DUCOR DUCO, vinham as assustadoras palavras AUTO DE INTIMAÇÃO.
O texto definia seu crime hediondo: abrir duas janelas na pequena casa que com muito custo conseguiram alugar na Vila Olímpia pagando 700 reais por mês de aluguel. Vejamos o texto intimidatório deixado pela ‘fiscal’: ‘De conformidade com o art. 1º, único, item 6.1. da lei 11228/92 regulamentada pelo Decreto 32329/92, fica V.Sª. intimada a apresentar projeto aprovado e alvará da reforma que vem sendo executada no local supracitado no prazo de 24 horas sob pena de multas, embargo das obras, ação judicial e demais cominações legais’.
A pobre florista que é pobre nos dois sentidos, descobriu que a legião de pequenas aves de rapina da prefeitura sobrevoa os bairros atrás de caçambas de entulho. A cada uma avistada, descem de seus carros do ano, ajeitam seus tailleurs das lojas Marisa, fazem cara de enfezadas (os homens usam os mesmos artifícios, apenas modelitos diferentes) e penetram nas obras batendo com a caneta nas paredes, raspando tijolos, escutando tubulações etc.. Um joguinho de cena que termina com o preenchimento do tal auto de intimação. No caso da proprietária da floricultura, a solução para o caso foi inusitada. A garota, do alto de seus vinte e dois anos de idade, dirigiu-se à administração regional. Até meu sobrinho de sete anos sabe que as administrações regionais não passam de feudos eleitorais distribuídos aos vereadores mais poderosos. A garota sentou-se (depois de aguardar horas) na frente da ‘otoridade’ e desandou a chorar desbragadamente alegando não ter dinheiro e não saber que abrir duas janelas é crime. Diante de um choro copioso de dezoito minutos de duração, o burocrata de plantão sem alternativa rasgou a intimação e mandou a florista de volta ao trato com gerânios e jasmins, de onde nunca deveria ter sido retirada. Se o desfecho nesse caso ficou entre o patético e o engraçado, muitas vezes termina de maneira bem mais simples e rápida: um cheque. É claro que deve haver gente séria entre os fiscais e que há obras imensas feitas sem o menor critério que tem de ser brecadas, mas certamente, estes fiscais não passaram perto da obra do templo da igreja de Edir Macedo, cujos fiéis agora entendem perfeitamente o trecho do envagelho ode se lê ‘o céu cairá sobre suas cabeças’.

FISCAL DE FOSSA

O que será que teria acontecido então, com um fiscal que ousasse multar o deputado Sérgio Naya no Rio de Janeiro? Se a simples menção do nome de um político já faz qualquer funcionário público tremer nas bases, que dirá um deputado ele mesmo, como vítima de um ‘auto de intimação’? Provavelmente, o elemento seria enviado para a fiscalização das fossas do hospital Pinél ou para contar o número de fios clandestinos que saem de cada poste da Rocinha.
Como é que um sujeito como Celso Pitta tem a coragem de exercer poder de fiscalização contra alguém?
Outra mostra de como é eficiente a prefeitura de São Paulo pode ser vista nos sistemas novíssimos e modernérrimos de controle eletrônico de velocidade dos automóveis. Para a compra e instalação de radares e câmeras fotográficas de última geração não falta dinheiro no orçamento público. Este é, porém, um dos motivos alegados para justificar as filas históricas que atravancam a cidade para vistoriar e trocar placas dos carros, ou para milhares de buracos e remendos mal feitos que forram as ruas da cidade.
Quando acionamos o poder público para questões de nosso interesse, a eficiência suíça dá lugar ao caos de mercado persa. Quem precisa de um alvará, de uma instalação elétrica, de qualquer tipo de reparo, autorização, liberação, documentação e outras obrigações do poder público sabe que será tratado como cão sarnento.
Uma procuradora da prefeitura que pede para não revelar seu nome garante que sob a administração de Maluf, através do Pittanic, a rede de pequena corrupção encontrou terreno fértil e ramificou-se de forma capilar por todos os guichês, autarquias e repartições, de forma que ninguém mais tem controle sobre quem toma de quem. Que Deus ilumine os eleitores.

PALAVRAS-CHAVE
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